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Governo aumenta Plano Safra, mas impacto nas vendas de caminhões pode ser menor

Custos de produção no campo e no transporte elevados, além da falta de chips, representam entraves a um maior volume de licenciamentos
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Bruno de Oliveira

30 jun 2022

3 minutos de leitura

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O Governo Federal apresentou na quarta-feira, 29, o Plano Safra 2022/2023, com recursos da ordem de R$ 340 bilhões para custear a produção agrícola no país até junho do ano que vem. O valor é 36% maior do que o plano anterior, mas antes que se possa concluir que ele resultará em maiores vendas de caminhões, como historicamente acontece, desta vez há fatores no mercado e na indústria que podem arrefecer o consumo por parte dos frotistas que atendem ao agronegócio.

“O desembolso do governo é maior, mas aumentou o custo operacional do produtor agrícola”, observa Ronaldo Lima, consultor da Carcon Automotive. “O preço dos insumos básicos para o ciclo agrícola, como os fertilizantes, no campo, e o diesel, no transporte, subiram tanto que se pode esperar um reflexo menor do plano nas compras de caminhões. Vai renovar a frota quem precisar muito trocar, geralmente quem tem frota mais antiga.”

Vendas de caminhões independentemente da safra

Para o consultor, as vendas de caminhões deste ano deverão ser maiores do que as realizadas no ano passado, mas o volume a mais de veículos, principalmente de modelos pesados, estará mais ligado a uma demanda puxada pelo Proconve P8, a norma de emissões que entrará em vigor no Brasil a partir do ano que vem. “Os frotistas com mais recursos em caixa, e pressionados pelas práticas ESG, devem investir em uma frota Euro 6 já este ano”, disse Lima.

Outro entrave às vendas são os atrasos nas entregas de veículos aos compradores por causa da falta de componentes nas linhas de produção das montadoras e seus fornecedores, sobretudo semicondutores. Algumas montadoras retomaram a produção após hiato causado pela escassez de chips, como Mercedes-Benz e Scania, mas, ainda assim, segundo o consultor, haverá um certo tempo até que se restabeleça a pronta-entrega no varejo.

Segundo as projeções mais recentes da Anfavea, a associação que representa as montadoras instaladas no país, os licenciamentos de veículos pesados este ano deverão somar 157 mil unidades até dezembro, um volume que representa um crescimento de 10% sobre os licenciamentos realizados no ano passado. A respeito da produção de pesados, a projeção indica alta de 8% na mesma base de comparação.

Programa Renovar

Ainda a respeito da renovação de frota, um dos programas nacionais que também animam montadoras a venderem mais veículos, o Renovar, segue em tramitação na Câmara dos Deputados e seu texto precisa ser votado até 29 de julho para tornar-se lei. A Medida Provisória 1112/22, que criou o Programa de Aumento da Produtividade da Frota Rodoviária, tem como objetivo retirar de circulação veículos no fim da vida útil e, assim, renovar a frota circulante no país.

O Renovar será coordenado pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), entidade do Sistema S sediada em Brasília. Também caberá à ela tornar disponível uma plataforma digital para realização das operações pelos interessados em aderir ao programa, como os donos dos veículos, os agentes financeiros e as empresas de desmonte ou de destruição dos veículos.

Na etapa inicial do programa, os benefícios oferecidos especificamente pelo Governo Federal vão priorizar os transportadores autônomos de cargas. De acordo com dados da Secretaria Nacional de Trânsito, do Ministério da Infraestrutura, há mais de 3,5 milhões de caminhões em circulação no Brasil e, desse total, cerca de 26% dos veículos têm mais de 30 anos de fabricação.