
“Possivelmente, vamos adiar a entrada em vigor. Hoje, 60% dos veículos já têm o equipamento. Passaria para 100% [em 2014]. Possivelmente vamos diferir isso [atrasar] em um ou dois anos. Ainda não fechamos a proposta. Vamos fechar na terça-feira que vem [em reunião com os representantes dos fabricantes de veículos]”, disse o ministro após participar do Encontro Nacional da Indústria (ENAI), realizado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) em Brasília.
Mantega afirma estar preocupado com a elevação do custo do veículo a partir da inserção dos novos equipamentos de segurança: “Estamos discutindo questões do equipamento de segurança que seria acrescentado aos automóveis em 2014. Estamos preocupados com o impacto sobre o preço do carro. Isso eleva o preço do carro de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil. Estamos estudando o que fazer com isso”.
A Anfavea emitiu uma nota lacônica informando: “Fomos informados desta medida, como decisão, e estamos neste momento avaliando o assunto”. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC já vinha há meses fazendo pressões pelo adiamento da legislação, temendo a demissão de 4 mil trabalhadores de montadoras e fornecedores de autopeças ligados à produção de veículos que teriam de sair de linha com a obrigatoriedade de ABS e airbags. Em entrevista ao UOL Carros, Rafael Marques, presidente do sindicato, admitiu as negociações com o governo, mas disse que Volkswagen e Fiat também pediram o adiamento.
De acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo, o objetivo do governo também seria o de conceder mais tempo ao Inmetro, que trabalha na criação de um Centro de Impactos, em Duque de Caxias (RJ), e que deverá ser inaugurado entre 2016 e 2017, permitindo ao instituto testar todos os dispositivos de segurança embutidos nos veículos produzidos no Brasil.
A medida, que entraria em vigor em 20 dias, prevê que todos os veículos fabricados no Brasil deverão sair das fábricas com sistema de freio ABS e airbag. Com a lei, a indústria já havia se preparado para encerrar a produção de alguns modelos tradicionais no mercado brasileiro, como Volkswagen Kombi e Gol G4, Fiat Mille, Chevrolet Celta e Ford Ka.