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Governo brasileiro vai negociar com Argentina para manter exportações

O governo brasileiro foi pego de surpresa, mas já tem uma carta na manga para tentar minimizar a nova medida protecionista da Argentina, que limita a importação de automóveis e comerciais leves (de até 5 toneladas), inclusive modelos produzidos no Mercosul. Em entrevista em Brasília na quarta-feira, 18, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, revelou que foi formado um grupo de trabalho com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) para negociar as restrições. O ministro comentou: “As exportações para a Argentina são importantes e temos de fazer um trabalho para que isso não aconteça.”
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Redação AB

19 dez 2013

2 minutos de leitura

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A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos, a Anfavea, não se pronunciou sobre o assunto, e nem mesmo dirigentes das empresas sabem que tipo de acordo o Brasil poderia buscar. O fato é que, caso os “hermanos” não cheguem a um acordo, o valor comprado pela Argentina em veículos brasileiros no primeiro trimestre de 2014 deverá ser até 27,5% menor que o de um ano antes. Ficarão livres da medida somente as montadoras com receita de comércio exterior pelo menos igual à despesa no país.

O Brasil tende a ser o mais prejudicado. De janeiro a novembro deste ano, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a Argentina representou 80,5% das exportações brasileiras de veículos e 53,7% das importações. As montadoras instaladas no Brasil enviaram ao país vizinho 418,3 mil automóveis e comerciais leves no período, o equivalente a US$ 5 bilhões. No mesmo intervalo, os brasileiros compraram da Argentina um volume menor, de 353,6 mil unidades, mas de modelos mais caros, que geraram US$ 6,4 bilhões ao país, com superávit de US$ 1,4 bilhão só neste segmento de comércio bilateral.

Os números comprovam que não é a balança comercial que preocupa os argentinos, mas a deterioração de suas reservas internacionais, que este ano apresentaram retração de 21%. O governo da ministra Debora Giorgi (Indústria), com a medida, também busca renegociar o acordo automotivo com o Brasil, que expirou em junho. Para cada US$ 100 vendidos pela Argentina ao Brasil, em veículos e autopeças, o Brasil podia vender US$ 195 à Argentina sem pagar tarifa de importação. Mas como se vê pelos números acima da balança comercial de veículos dos dois países, esse acordo já é cumprido com folga, já que os argentinos vendem mais (em valores) do que os brasileiros.

Para fechar um novo acordo, o Brasil pede a eliminação de barreiras a importações. Já a Argentina deseja participar do Inovar-Auto. Com resistência de ambos os lados, o impasse está formado.