
Ao mesmo tempo, na prática o CMN também encerra o PSI mais cedo este ano: o programa continua valendo até o fim de dezembro, mas só serão aprovados os contratos daqueles que entrarem com o pedido de empréstimo até o próximo 31 de outubro. A modalidade de requisição simplificada do PSI, em que o tomador aprova o financiamento no banco repassador mais rapidamente, já foi cancelada na segunda-feira, 26.
Em comunicado, o Ministério da Fazenda justificou a medida devido à baixa procura pela linha, que até setembro passado somou apenas R$ 6,8 bilhões, considerando todas as modalidades do PSI, que também contempla a aquisição de máquinas industriais, entre outros bens de capital. Como os recursos do PSI vêm do Tesouro Nacional, o governo decidiu usar a sobra do dinheiro e encerrar o programa mais cedo para cobrir o rombo fiscal, conforme já confirmou em evento na terça-feira, 27, o ministro Joaquim Levy.
O tombo na procura pelo PSI para compra de caminhões e ônibus já era esperado desde o início de 2015, quando o governo reduziu bastante a atratividade da linha, aumentando a taxa de juros do programa de 6% ao ano para 10% (grandes empresas), 9.5% (pequenas e médias) e 9% (Procaminhoneiro), além de reduzir a parcela financiável, que era de 100% do valor do bem, para apenas 50% no caso de corporações de grande e 70% para as de pequeno e médio portes. O prazo máximo de 120 meses caiu para 72 meses (seis anos), com seis meses de carência para iniciar os pagamentos. A partir de março, as montadoras fizeram uma composição, oferecendo parte do financiamento pelo PSI e outra pelo Finame-TJLP, que tem taxas variáveis.
A linha continuou a ser a mais barata do mercado, mas a retração da economia, aliada ao grande volume de antecipação de compras em 2014 para aproveitar as condições de financiamento mais favoráveis, acabou por reduzir muito a procura pelo PSI este ano. Com problemas de caixa, tudo indica que o governo deve acabar de vez com o programa nos moldes atuais, passando a oferecer só o Finame-TJLP a partir de 2016.