
O acordo com a Ford saiu pouco mais caro que o imaginado pelo governo da Bahia. De acordo com Angelo Almeida, secretário de desenvolvimento econômico da administração Jerônimo Rodrigues (PT), o pagamento realizado à montadora de origem norte-americana foi de R$ 220 milhões — e não R$ 150 milhões, como previamente estipulado.
A primeira parcela, equivalente a 50% do montante, foi acertada na última semana. A quitação do valor restante será feito, segundo Almeida, num prazo entre 30 a 40 dias.
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Ainda de acordo com o secretário, o valor real a ser pago à Ford foi tecnicamente avaliado pela Caixa. Com a primeira parcela, o complexo de Camaçari já pode ser liberado para a BYD — que encetou suas atividades de forma oficial no terreno de 1 milhão de metros quadrados na segunda-feira, 9.
“Agradecemos à Ford por sido muito diligente e ter tido celeridade no diálogo com o governo”, salientou o secretário de desenvolvimento econômico da Bahia.
Antiga fábrica da Ford passa às mãos da BYD
Agora, de acordo com Almeida, “está se organizando uma modelagem, que será uma concessão onerosa, uma espécie de arrendamento” do complexo à BYD. Tal estruturação, por lei, diz o secretário, tem até 30 dias para ser definida.
Almeida crê que o retorno desses R$ 220 milhões pagos aos norte-americanos se dê por meio da geração de novos postos de trabalho. Também, comentou, pela chegada de uma cadeia de sistemistas ao estado.
O secretário abre parênteses ainda para dizer que, de acordo com técnicos da BYD, a supracitada cadeia pode gerar até 50 mil empregos. Isso além dos 5 mil postos diretos que já serão criados graças ao complexo de Camaçari.
“Dessa forma, a BYD trará para o tesouro do estado o que foi investido para fazer a reversão junto à Ford. É a BYD engajada com o estado, com nosso projeto”, completou.
Além disso, Almeida fez questão de frisar que a Bahia “irá se tornar, seguramente, um hub de hidrogênio verde no mundo”. “Ter a BYD chegando justamente neste momento, uma produtora de veículos elétricos, com energias limpas, é de uma sinergia ímpar”, finalizou.
Ford ainda tem sua importância para a Bahia
Embora, atualmente, a Ford não passe de uma importadora no Brasil, ainda mantém certas atividades na Bahia. Uma delas é o seu centro de tecnologia.
“A Ford ainda mantém na Bahia uma importante operação de engenharia muito forte. Inclusive, tive conhecimento de que eles estão reforçando essa posição”, destacou Angelo Almeida. “Há, inclusive, a perspectiva de novos investimentos da Ford, que segue sendo muito importante para nós”, completou o secretário.
