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Governo dribla indústria automotiva e adia Rota 2030 mais uma vez

Texto com informações atualizadas em 11/04/2018 às 16h00
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Redação AB

10 abr 2018

3 minutos de leitura

Definir o Rota 2030, conjunto de regras para a indústria automotiva, não está mesmo entre as prioridades da atual gestão. Pela quinta vez o anúncio do programa foi adiado, segundo informações recebidas na terça-feira, 10. A Anfavea, entidade que representa as montadoras de veículos, negociava uma reunião com Michel Temer no próximo dia 12 de abril. Ainda que o encontro não estivesse 100% confirmado, a expectativa era de que ele recebesse os líderes das montadoras e aproveitasse a ocasião para fazer o anúncio do Rota 2030, conforme apontaram fontes do governo. A agenda, no entanto, foi cancelada, deixando mais uma vez a ver navios os presidentes das fabricantes de veículos, que já tinham reservado o horário para ir ao Palácio do Planalto.

Desta vez a justificativa para o adiamento é que o novo ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, que assumiu o cargo na terça-feira, 10, pediu alguns dias para estudar o Rota 2030 com o ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) para ter condições de, enfim, aprovar (ou não) o programa. O curioso é que, antes de ser nomeado para a liderança da pasta, Guardia já era secretário-executivo da Fazenda, o braço direito de Henrique Meirelles e, portanto, deveria estar completamente inteirado da política industrial, que já foi exaustivamente debatida no governo.

A NOVA PROMESSA É 24 DE ABRIL

Na sexta-feira, 6, Temer já tinha anunciado que as regras automotivas não deveriam ser anunciadas no dia 12. Em evento em Salvador (BA), ele declarou que o Rota 2030 deve ser definido em maio, porque o governo estaria finalizando alguns aspectos do programa. Na quarta-feira, 11, as informações eram de que a reunião entre o mandatário e presidentes das fabricantes de veículos foi remarcada para o próximo dia 24.

A questão é que, com os sucessivos adiamentos na aprovação do Rota 2030, e o aparente desinteresse de Guardia pelo assunto, é possível que a legislação precise de mais alguns meses para ser aprovada ou, até mesmo, deixe de ir adiante até o próximo governo, em 2019.

Desde o ano passado o principal obstáculo à implementação da política é a resistência do Ministério da Fazenda, que não quer aprovar incentivos fiscais da ordem de R$ 1,3 bilhão por ano para pesquisa e desenvolvimento previstos no Rota 2030. “Nós avisamos que da maneira como estava sendo conduzido [no MDIC] não tinha como passar. Incentivos que não trazem benefício real à sociedade não podem ser aprovados”, declarou em novembro do ano passado João Manoel Pinho de Mello, chefe da Assessoria Especial de Reformas Microeconômicas do Ministério da Fazenda (leia aqui).

Segundo a Anfavea, a política industrial é essencial para garantir previsibilidade e permitir que as empresas planejem seus investimentos no Brasil. Indiretamente, o programa também beneficiaria os consumidores, já que traça rotas tecnológicas para a evolução dos carros brasileiros, com metas de redução no consumo de combustível e para a adoção de itens de segurança, por exemplo. O descaso do governo acontece mesmo depois de intenso trabalho da equipe técnica do Mdic e da indústria automotiva para desenhar o conjunto de regras para o setor. Estima-se que foi necessária mais de uma centena de reuniões para desenvolver a proposta.