
A Toyota já anunciou, aqui, que no máximo 60% dos veículos relacionados nos chamamentos atendem as convocações. Fontes do setor admitem que a resposta envolvendo todas as marcas pode nem chegar a 40%, na média.
A omissão dos proprietários dos veículos – acentuada pela inércia dos responsáveis na indústria automobilística e no governo — tem origem na ineficiência da comunicação, fiscalização e falta de interesse sobre um problema que envolve segurança.
As montadoras têm procurado cumprir as disposições legais emitindo cartas, publicando anúncios nos meios de comunicação e até enviando aos concessionários a relação de chassis envolvidos nos chamamentos para reparos durante as revisões periódicas.
Na prática, a soma de todos esses esforços não atinge aos objetivos propostos pela legislação. Muitos donos mudam de endereço ou revendem o veículo, tornando inócuo o comunicado de recall. Em outros casos o proprietário não dá importância à campanha de reparação.
Como o recall trata de questões relativas à segurança das pessoas e sua aplicação não é satisfatória, as ameaças detectadas por defeitos nos veículos estão latentes na frota circulante.
Recall do recall
Cabe ao DPDC – Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, órgão do Ministério da Justiça, disciplinar a questão e tomar as providências indispensáveis para evitar que o perigo detectado nos veículos seja reparado.
Há pelo menos duas situações em que o veículo em falta com o recall pode ser flagrado. Uma delas acontece durante as inspeções veiculares, que começam a se consolidar nas metrópoles. Outra, mais eficaz, ocorre na ocasião do licenciamento anual dos veículos.
Caberia ao DPDC, que já coloca em seu website a relação dos chamamentos promovidos pelas montadoras e importadores, encaminhar a listagem dos veículos envolvidos aos Detrans de todo o pais.
“Atendemos qualquer recall mesmo que o prazo formal tenha se esgotado. O concessionário é orientado a confrontar o chassi de cada veículo que entra na oficina com as chamadas para reparos” – disse a Automotive Business recentemente Carlos Henrique Ferreira, consultor técnico da Fiat Automóveis.
Ferreira admite que cruzar informações das montadoras sobre recalls com as convocações feitas pode ser uma boa providência na hora do licenciamento, exigindo uma ação específica das autoridades.
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