logo

biocombustível

Governo prevê déficit de etanol

<style type=”text/css”>
.texto {
font-family: Verdana, Geneva, sans-serif;
font-size: 10px;
color: #666;
}
.texto {
text-align: left;
}
</style>
Author image

Redação AB

09 dez 2011

4 minutos de leitura

G_noticia_12518.jpg
NOTÍCIAS AUTOMOTIVAS EM QUALQUER LUGAR
Email RSS Twitter WebTV Revista Mobile Rede
Social

Agência Estado

O governo trabalha com uma perspectiva de “saldo zero” de etanol hidratado nas usinas no início da entressafra, em 1º de maio de 2012, ou mesmo de falta do combustível caso o consumo mensal não recue, em média, 9%. O cenário de escassez ocorre pela queda de quase 17% na produção de etanol total prevista nesta safra – eram esperados 27 bilhões de litros e só 22,5 bilhões deverão ser processados, devido ao recuo de 13% na produção de cana-de-açúcar no País, para 553 milhões de toneladas.

Dados expostos na reunião desta semana do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), obtidos pela Agência Estado, mostram que a oferta de álcool hidratado entre novembro de 2011 e abril do próximo ano será de 5,388 bilhões de litros, ou 898 milhões de litros por mês. Como o consumo em outubro foi de 986 milhões de litros e não haverá produção até maio, a demanda terá de recuar, em média, 88 milhões de litros por mês.

Para isso ocorrer há duas possibilidades. A primeira é o reajuste dos já altos preços do biocombustível nas bombas, o que traria a queda no consumo com migração para a gasolina. A segunda hipótese seria a transformação do etanol anidro, misturado em 20% ao combustível de petróleo, em hidratado, por parte das usinas, com a adição de água, para aumentar a oferta.

Equação sem solução

Nos dados expostos esta semana, além do saldo zero de etanol hidratado, o CNPE projeta um superávit de 765,9 milhões de litros de álcool anidro no início da próxima safra, em maio. Mas isso só ocorrerá se a mistura de 20% – que já foi 25% até 1º de outubro – do anidro à gasolina for mantida e se o consumo de hidratado recuar. Contudo, também é preciso considerar que, se a queda na demanda do hidratado trouxer forte migração para a gasolina, necessariamente haverá aumento no consumo do anidro misturado a ela. “Na prática, o governo e o setor ainda não sabem o que fazer com essa equação”, disse uma fonte do CNPE.

Durante jantar da entidade em Brasília, o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, reafirmou a constante insatisfação do setor diante das manobras do governo para manter estável o preço da gasolina. Jank critica o “congelamento artificial” em momentos de alta no preço do petróleo e ainda redução de tributos para estabilizar o preço da gasolina. Ele defende que um reajuste no combustível fóssil traria maior incentivo ao uso de etanol e também ao aumento da produção por parte dos usineiros.

Já no governo, a visão é outra. Ministros avaliam que o aumento da gasolina, além de gerar inflação, traria mais dinheiro para o bolso dos usineiros, já que o etanol também subiria de preço até a paridade de 70% do preço da gasolina. Uma saída para o impasse é o pacote de medidas à retomada da produção previsto para ser anunciado ainda este ano, bem como novas regras para a contratação e a formação de estoques do etanol, para evitar desabastecimento na entressafra.