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Governo prorrogou IPI reduzido por mais 3 meses

Como Automotive Business havia antecipado na sexta-feira, o governo prorrogou por três meses o IPI reduzido na venda veículos. A partir de outubro o incentivo deve sofrer um aumento progressivo, até a recomposição dos níveis vigentes antes da crise internacional.
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cria

29 jun 2009

3 minutos de leitura

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Caminhões terão o tributo reduzido até o final do ano e as motos por mais três meses.
O anuncio foi feito na segunda-feira pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. O benefício terminaria dia 30 de junho.

Apesar da preocupação com a queda das receitas tributárias e o déficit na arrecadação registrado em maio, o governo preferiu manter o IPI reduzido depois de ter feito acordos de bastidores para estimular a produção e conter demissões.

As questões trabalhistas estão sob controle no segmento de veículos leves. Mas a indústria de caminhões e a cadeia de produção ligada a sistemas diesel não querem engessar postos de trabalho – haverá pressões para demissões.

Tabela da redução

As alíquotas para o IPI reduzido, instituídas em janeiro, continuarão obedecendo ao seguinte esquema até 30 de setembro:

— Veículos com motor de 1.0 litro tiveram o IPI reduzido de 7% para zero.
— Veículos com motor de 1.0 a 2.0 litros tiveram o IPI de 13% reduzido para 6,5% no caso de gasolina; e de 11% para 5,5% para motores flex ou carros movidos a álcool;

— Veículos com motor acima de 2.1 litros mantêm a alíquota de 25%.

— Veículos off road tiveram IPI reduzido de 15% para 7,5%.

Em dúvida, a compra

As dúvidas sobre a nova estratégia a ser adotada pelo governo sobre o tributo levaram o consumidor às compras no final de semana, aproveitando a queda de preços entre 5% e 7% e o estímulo dos feirões. Os modelos mais procurados estão em falta no mercado.
Nas últimas semanas o presidente Lula chegou a dizer que gostaria de tornar permanente a redução do IPI no setor automotivo. Depois mudou o discurso, afirmando que em vez de desonerar seria melhor dar dinheiro aos pobres consumidores. O aparente desencontro de idéias esconderia um ressentimento contra empresas que não teriam repassado integralmente o benefício ao consumidor.

Para alguns especialistas o IPI reduzido cumpriu seu papel e agora tem um papel menos decisivo do que aconteceu na virada do ano, quando os estoques de veículos eram bastante elevados. Há quem acredite que algumas categorias de veículos ainda possam ter uma redução do IPI definitiva.

Produção e emprego

Embora as vendas estejam aquecidas no segmento de veículos leves, derrapam na área de veículos comerciais, como caminhões e ônibus.

De janeiro a maio do ano passado foram exportados 308.627 veículos; este ano, apenas 162.447, com um recuo de 47,4%. No caso dos caminhões a queda é de 67,4%; para os veículos leves, de 46,5%.

Embora a Anfavea mantenha até agora a previsão de vender a outros países este ano 500 mil veículos (foram 735 mil no ano passado), o cenário mostra que há excessivo de otimismo nessa estimativa. O cenário atual indica que as exportações não devem superar 400 mil unidades.

Com as exportações em baixa, a produção no ano dificilmente alcançará a previsão da Anfavea, de 2.860 unidades, incluindo caminhões e ônibus.

Como o nível de produção está diretamente ligado ao nível de emprego, o governo levou em conta o fato na hora de finalizar as decisões neste final de semana.
Estudos da Anfavea já demonstraram que a arrecadação de tributos total cresce com a redução do IPI. No entanto, quem arrecada mais são os governos estaduais e municipais -o federal perde receita com a queda do IPI.