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Grandes avanços e uma lamentável estagnação

Quando viajei pela primeira vez ao exterior, em 1984, fui para Detroit. Era uma oportunidade profissional. Naquela época, os voos internacionais saiam do Galeão, no Rio de Janeiro. Congonhas era o ponto de partida para quem saía de São Paulo. A maior parte dos voos entre Brasil e Estados Unidos eram operados pela Varig ou pela Pan Am. Levava-se algum dinheiro em papel e mais algum em traveller checks. Cartões não eram usados porque não havia rede internacional de dados. Ligações de outros países eram feitas com o auxílio de telefonista e custavam uma fortuna.
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Redação AB

22 mai 2012

2 minutos de leitura

Ninguém usava celular e computadores pessoais eram para poucos. A maioria deles funcionava em basic e a Apple estava sendo criada. Os CDs eram artigos de revista, dizia-se que revolucionariam o mercado da música. Ao chegar no exterior a sensação era de realmente estar num lugar muito diferente. Poucas semelhanças no estilo de vestir, nas lojas. A impressão de estar longe era grande.

Nesse mês, no entanto, fui para os Estados Unidos, México, Portugal e Espanha e prestei atenção nas mudanças destes 28 anos. Viajar, diferentemente do passado, é banal, informal. O conforto e a praticidade imperam. Usa-se Crocs, aquele chinelão de borracha, quentinho, confortável e fácil de tirar nas revistas feitas nos embarques. Calça jeans, camiseta. Ipads e Iphones, fones de ouvido com cancelamento de ruído, algo que havíamos até discutido como possível na faculdade, mas num futuro bem distante.

Em todos os lugares agora há similaridade na moda, nos costumes, o celular que funciona em roaming, o uso das redes wi-fi que dão acesso à internet, ao email, redes sociais, ao banco, e ao Skype, onde podemos conversar com som e imagem. Com um pouquinho de habilidade, tudo isso custa muito pouco ou nada. As músicas, os programas de TV e os automóveis são conhecidos. Apesar da diferença no idioma e na cultura, um sentimento gostoso de familiaridade nos faz sentir mais próximo de casa.

Todas as ferramentas que usamos no dia-a-dia, graças à evolução tecnológica, já não são privilégio de poucos. Estão acessíveis a grande parte da população. O crescimento no uso de smartphones no Brasil é de 89% ao ano. Novas ferramentas surgem todos os dias. Oportunidades de negócio são impulsionadas por elas. Jovens criativos tornam-se milionários em poucos meses. Os mercados internacionais estão a um clique de distância. Vivemos uma época em que a velocidade e a informalidade nos negócios propicia oportunidades a pessoas empreendedoras que antes buscariam empregos nas indústrias ou instituições financeiras. Iremos testemunhar o crescimento exponencial do setor de serviços, impulsionado por toda essa tecnologia acessível que hoje nos cerca.

Vergonhosos são nossos aeroportos, quase iguais ao que eram em 1984.