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Greve continua na VW do Paraná

Redação AB
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Redação AB

10 mai 2011

3 minutos de leitura

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Sem chegar a acordo na reunião de conciliação realizada ontem, em assembleia na manhã desta terça-feira, 10, os trabalhadores da produção da Volkswagen de São José dos Pinhais (PR) decidiram continuar a greve iniciada na quinta-feira passada. Eles reivindicam R$ 12 mil de Participação Pelos Resultados divididos em duas parcelas, mas a fábrica oferece R$ 4,6 mil agora e negociação do pagamento restante no segundo semestre de 2011, atrelado a metas pré-estabelecidas. Na quinta-feira, 12, ocorre nova assembleia às 5h30 com empregados dos três turnos.

A Volkswagen do Brasil distribuiu comunicado na segunda-feira, 9, explicando que utiliza a expressão Participação Pelos Resultados (PPR), em vez de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), porque as empresas multinacionais do setor, como regra, não publicam balanços locais, só globais, e por isso não reportam o lucro obtido no País.

O que vale para efeito de participação nos resultados, na Volkswagen, é uma fórmula que leva em conta metas como produção, produtividade e qualidade. Segundo a empresa, o valor da PPR pago aos funcionários na unidade em 2010 foi o terceiro maior do País e o maior fora do Estado de São Paulo entre todas as fabricantes.

Custo salarial

De acordo com a montadora, o salário de um horista na Volkswagen em São José dos Pinhais é até 35% maior do que o pago por empresas do setor instaladas em outras regiões do Brasil. Mas não no ABC paulista, onde o ganho mensal médio de um montador, cerca de R$ 3,5 mil, é R$ 1,5 mil maior do que a média das fábricas do polo do Paraná, de R$ 2 mil.

Até por isso o custo de mão de obra no Paraná vem subindo muito mais rápido nos últimos anos. Segundo a VW, entre 2006 e 2010 o salário médio de um horista da unidade paranaense teve alta de 54,4%, índice superior à média da região de Curitiba, na qual a fábrica se encontra. Também seria superior à região do ABC paulista, onde o crescimento salarial foi de 27,3%.

No mesmo período 2006-2010, enquanto o volume de produção das unidades VW em São Bernardo do Campo e Taubaté (SP) cresceu 42%, o índice em São José dos Pinhais foi de 3%. Mas é necessário levar em conta que as fábricas paulistas operavam com grande ociosidade até 2006, quando houve até ameaça de fechamento da planta Anchieta, ao passo que a linha paranaense opera hoje no topo de sua capacidade, sem espaço de crescimento, fabricando cerca de 800 carros/dia, ou quase o dobro da época da inauguração, em 1998.

Segundo a VW, a greve acontece porque a empresa não pode melhorar sua proposta de PPR. A fabricante alega não poder absorver aumentos de custos maiores do que seu consumidor aceita pagar em um ambiente competitivo.

Nesse cenário de confronto aberto, Thomas Schmall, presidente da Volkswagen do Brasil, disse em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que a empresa deverá investir menos no Paraná, e já decidiu produzir a nova versão do Golf em uma de suas duas plantas paulistas, que estão recebendo a maior parte dos investimentos de R$ 6 bilhões previstos para o período 2010-2012. Schmall afirmou que a negociação de uma PPR com base na realidade do mercado e do desempenho da fábrica é fundamental para as decisões de investimento futuro, bem como para a manutenção do nível de emprego.

Com informações da Volkswagen e do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba