“A situação é preocupante. Muitas fábricas já pararam suas linhas de montagem. Se a greve dos caminhoneiros continuar até o fim de semana é certo que todas as fábricas pararão”, alertou Antonio Megale, presidente da associação das fabricantes, a Anfavea. Segundo balanço da entidade, 16 plantas já tiveram a produção de veículos afetada pela falta de componentes e 11 delas já paralisaram pelo menos um turno na quarta-feira, 23.
Em nota distribuída pela entidade, Megale avalia que a greve tem grande potencial de atrapalhar o crescimento da indústria previsto para este ano. Se o corte de suprimentos se arrastar por muito mais tempo, “teremos queda na produção, nas vendas domésticas e nas exportações, tendo como consequência impacto direto na balança comercial brasileira e na arrecadação de tributos”, destacou o dirigente.
Desde a segunda-feira, 21, transportadoras e os caminhoneiros estão parados em protesto contra a elevação dos preços do diesel, que acumulam alta de cerca de 18% nos últimos 12 meses, com a política da Petrobras adotada desde o ano passado de praticar reajustes semanais de acordo com a variação internacional de mercado. O aumento do petróleo e apreciação do dólar nos últimos meses adicionaram pressão e os preços explodiram, provocando a greve dos transportes que ameaça o desempenho da economia brasileira como um todo.