
Depois de incorporar a Chrysler, o Grupo Fiat ajusta a estratégia de compras globais para ganhar competitividade. A companhia destacou os próximos passos da integração durante a cerimônia de entrega do Qualitas Awards, que reconhece os melhores fornecedores da montadora, entregue na quinta-feira, 26 (leia aqui).
Vilmar Fistarol, presidente mundial de compras da organização, destacou durante apresentação no evento o trabalho em curso para ampliar o número de fornecedores em comum entre as marcas. O plano é aumentar o compartilhamento dos atuais 57% para 65% em 2014. Com isso, o investimento anual em compras deverá saltar para US$ 90 bilhões nos próximos anos, inflado pela aquisição da Chrysler. Antes da incorporação da companhia, as compras ficavam em torno de US$ 30 bilhões. O crescimento do grupo, com a abertura de novas fábricas, também vai impulsionar o resultado.
“A integração exigirá também uma mudança cultural”, avalia o executivo. A companhia já trabalha para tornar viável a transformação e evidenciou isso no slogan da edição deste ano do Qualitas: “Juntos somos mais fortes.” Dentro do novo formato, foi definido também um processo único para todas as compras mundiais, batizado de One Voice. A ideia é que o contato da empresa com os parceiros siga a mesma orientação em qualquer parte do mundo, adaptada para cada região.
A estratégia vai impactar toda a área de compras do grupo, que conta com 50 unidades distribuídas em 20 países. A divisão é responsável por abastecer as fábricas da companhia com os insumos e componentes para produção dos cerca de 800 produtos do portfólio, com atuação em outros 900 projetos em desenvolvimento.
BRASIL: FALTA QUALIDADE
Na América Latina, onde a organização tem 23 fábricas, as compras devem chegar a US$ 10,2 bilhões este ano. O investimento acompanha o programa de expansão das vendas. Durante a cerimônia de entrega do Qualitas, a companhia destacou a necessidade de os fornecedores da região acompanharem os investimentos da empresa, que tem R$ 10 bilhões anunciados para até 2014.
Segundo a empresa, é importante que os parceiros trabalhem para alcançar patamares mais elevados de qualidade, o que garantiria à Fiat Chrysler melhores resultados com os clientes e negócios aquecidos em toda a cadeia de suprimentos. Fistarol aponta que a região oferece a vantagem de ter os grandes fornecedores locais já bem estabelecidos.
Apesar do contexto favorável, o Brasil ainda tem desafios para superar na opinião do executivo. Segundo ele, os fornecedores nacionais ainda não chegaram aos padrões mundiais de qualidade. “Ainda temos muito o que melhorar”, avalia, considerando aspectos como inovação, desenvolvimento e capacidade de abastecimento.
O novo regime automotivo, que determina investimentos em pesquisa e inovação e maior participação de peças produzidas localmente nos veículos, pode ser uma ferramenta importante para alavancar esse avanço. O Grupo Fiat garante que as medidas não resultaram em mudanças significativas no plano de compras para a montadora. Apesar disso, a companhia reconhece que é importante incentivar que a produção local acompanhe a expansão do mercado.
Confira como foi a entrega do Qualitas Awards e assista à entrevista exclusiva com Vilmar Fistarol, presidente mundial de compras do grupo:
