
A Volkswagen AG e a Porsche SE, maior acionista do grupo alemão, entraram em um acordo para aprovar uma possível entrada da Porsche na bolsa de valores.
Caso realmente aconteça, o IPO (sigla para “Oferta Pública Inicial”) poderia ocorrer no último trimestre deste ano. A data foi confirmada por Arno Antlitz, diretor financeiro do Grupo Volkswagen.
O executivo assegurou que a empresa vai manter o mercado atualizado sobre o progresso e divulgar um eventual cronograma de ações até o final do primeiro semestre deste ano.
“A viabilidade atual de um IPO depende de uma série de parâmetros, além das condições gerais do mercado. Nenhuma decisão final foi tomada até o momento”, garantiu a empresa em comunicado divulgado na última quinta-feira.
Para entrar na era dos elétricos de vez
O anúncio vem em meio à tensão causada na Europa pela invasão russa à Ucrânia, que deu origem a uma volatilidade econômica em vários mercados pelo mundo e ameaça alavancar os preços da energia.
A maior fabricante da Europa já teria traçado um planejamento e estaria em conversas avançadas para realizar uma Oferta Pública Inicial da Porsche, atualmente a marca mais lucrativa do Grupo VW. O ingresso na bolsa de valores poderia valorizar as ações do conglomerado e financiar o desenvolvimento de futuros projetos eletrificados.
“Para mim, isso marca um ponto de inflexão e representa o momento ideal para realizar uma transação potencial para virar a chave para nosso momento de mudança para os elétricos”, disse Herbert Diess, CEO do Grupo Volkswagen.
Ações nas mãos da família Porsche
A Porsche tem um valor de mercado estimado em 85 bilhões de euros pela Bloomberg Intelligence.
As ações da marca seriam divididas entre 50% de ações preferenciais (que não permitem participação nas decisões da empresa) e os outros 50% em ações comuns, com direito a voto nas decisões.
Especula-se que a Porsche Automobil Holding, que é administrada pelas famílias Porsche e Piech, pode adquirir 25% das ações da marca de esportivos.
A Volkswagen deverá propor uma divisão de 49% das receitas brutas caso o IPO seja aprovado. Isso ajudaria Porsche e Piech a financiar a aquisição de suas ações e, de uma certa maneira, a retomar o controle da Porsche, que nasceu justamente dessas famílias.
