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Grupo Volkswagen pode voltar a fechar fábrica após 36 anos

Queda nas vendas de carros elétricos na Europa e altos custos inviabilizam operação na unidade da Audi em Bruxelas
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Ana Paula Machado

11 jul 2024

4 minutos de leitura

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O Grupo Volkswagen pode encerrar as operações de uma fábrica da Audi na Bélgica. A notícia caiu como uma bomba na Bolsa de Frankfurt, onde as ações da Volkswagen despencaram na manhã da quarta-feira, 10.

Cada ação valia € 105,05 na abertura do pregão, caindo para € 104,35 às 5h15 (horário de Brasília). Entretanto, a fabricante conseguiu se recuperar do mau início poucas horas depois. Às 11h35, as ações da Volkswagen tiveram alta de 2,20%, valendo € 106,90. 


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O possível fechamento da planta de Bruxelas se daria pela queda na demanda por carros elétricos de luxo na Europa, que fez a montadora realizar um severo corte de custos na unidade administrada pela Audi

Vale lembrar que a Volkswagen não fecha nenhuma fábrica desde 1988, quando encerrou as atividades em Westmoreland, na Pensilvânia, nos Estados Unidos. 

Segundo informações da agência de notícias “Reuters”, a Volkswagen informou que os custos referentes à unidade de Bruxelas (seja para o fim das atividades ou para encontrar um uso alternativo), bem como outras despesas não planejadas, podem ter impacto total de até € 2,6 bilhões no ano fiscal de 2024.

Unidade de Bruxelas tem alto custo logístico

A demanda pelo Audi Q8 e-tron, lançado em 2018, por exemplo, caiu drasticamente, e a montadora tende a encerrar sua produção. Uma fonte ligada à empresa afirma que o modelo pode sair de linha já em 2025.

Além disso, a unidade de Bruxelas, que produziu cerca de 50 mil carros no ano passado, enfrenta “desafios estruturais de longa data”, incluindo dificuldades para mudar seu layout e altos custos de logística.

Um processo de consulta começaria agora para encontrar soluções alternativas para a planta, que emprega cerca de 3 mil pessoas. “Isso pode incluir o fim das operações caso nenhuma alternativa seja encontrada”, informou a Audi.

Vendas mundiais estáveis

Enquanto o futuro da fábrica belga não é definido, a Volkswagen divulgou o balanço das vendas do primeiro semestre deste ano. Foram entregues 4,35 milhões de veículos no mundo, volume ligeiramente abaixo das 4,37 milhões de unidades registradas em 2023. 

Segundo a Volkswagen, os crescimentos nas regiões da América do Norte (7,9%), América do Sul (15%) e Europa Ocidental (2%) quase compensou os resultados ruins em outras regiões – especialmente na China – no segundo trimestre.

“No primeiro semestre do ano, o Grupo Volkswagen conseguiu igualar o volume de entregas do ano anterior em um ambiente de mercado desafiador. A base para isso é nossa posição forte e contínua na Europa Ocidental. Na América do Norte e América do Sul, crescemos significativamente e conseguimos expandir nossa participação de mercado”, disse, por comunicado, Hildegard Wortmann, do comitê executivo de vendas. 

Segundo ela, para o ano, a expectativa é de um ligeiro aumento nas entregas globais em comparação ao ano anterior devido ao lançamento e aceleração de vários modelos importantes no segundo semestre do ano.

Entregas na China recuaram no primeiro semestre

A Volkswagen registrou queda de 8,2% na região da Ásia-Pacífico – a segunda maior para a companhia no mundo inteiro. Foram entregues 1,49 milhão de veículos por lá.

A principal razão é a intensa competitividade na China, onde o grupo amargou queda de 7,4% em suas entregas. Foram 1,34 milhão de unidades emplacadas, ante 1,45 milhão em 2023. 

Na América do Norte foram comercializadas 495,2 mil unidades de janeiro a junho, alta de 7,9%. A fabricante destacou o resultado nos Estados Unidos, que cresceu 3% no período. 

Na Europa, a alta foi de 1,9%, subindo para 1,93 milhão de unidades. Essa ascensão foi impulsionada pela Europa Ocidental, com aumento de 2,3%, enquanto a Europa Central e Oriental declinou 0,7%. Na Alemanha, o crescimento chegou a 3,6%.

Brasil sustenta números na América do Sul

Com 15,4%, a América do Sul registrou o crescimento mais expressivo entre todas as regiões onde o Grupo Volkswagen atua. Foram 255,3 mil veículos entregues no primeiro semestre, com destaque para o Brasil, que teve crescimento de 24% no período.

Já as entregas globais de veículos elétricos da marca apresentaram leve queda nos seis primeiros meses do ano, de 321,6 mil unidades para 317,2 mil veículos.

Em relação às vendas de veículos híbridos plug-in, o volume registrado de janeiro a junho foi de 17% acima em relação ao mesmo período de 2023, chegando a 136 mil carros. 

A empresa espera um impulso adicional no segundo semestre do ano para veículos híbridos plug-in (PHEV).