
A GWM inaugura sua fábrica brasileira em Iracemápolis (SP) em ritmo ainda baixo, mas com ambições elevadas. A empresa planeja fazer no país um modelo com preço mais modesto do que os da gama atual. Hoje a oferta da marca é quase toda superior a R$ 200 mil. A ideia é localizar um carro que chegue às revendas com tabela de até R$ 150 mil.
A informação é de Parker Shi, presidente da operação internacional da companhia, que esteve no Brasil para a cerimônia de início das operações da unidade, realizada na sexta-feira, 15.
Em conversa com a imprensa, o executivo disse que, com o volume garantido por esse novo carro, a GWM vai alcançar vendas anuais de 250 mil a 300 mil veículos. Ele, no entanto, não determinou prazo para o lançamento da novidade ou para alcançar esse volume.
“Estamos entendendo o mercado, oferecendo diferentes produtos e, com isso, trabalhando em um cronograma para o país”, declarou.
Fábrica da GWM tem três modelos confirmados
Enquanto a empresa tateia o mercado local, a fábrica dá a largada com capacidade para fazer 57 mil veículos por ano. Em um turno de produção, a GWM planeja acelerar a operação nos próximos dois meses.
Somente a partir de novembro chegam às concessionárias os primeiros veículos brasileiros da GWM. Serão feitos localmente os utilitários esportivos H6 e H9, além da picape Poer P30.
GWM quer crescer com consistência e “responsabilidade”
Questionado sobre as diferenças entre a operação da GWM e a da conterrânea chinesa BYD no Brasil, Parker foi discreto. “Prefiro não falar da estratégia dos concorrentes.”
O executivo aproveitou a oportunidade para reforçar a abordagem da própria empresa com foco no “menos é mais”. Segundo ele, o caminho é dar um passo de cada vez. “Devagar nós vamos andar mais rápido porque teremos menos erros”, defendeu.
O CEO global da organização, Mu Feng, foi menos direto ao dar indireta na concorrente durante a cerimônia de inauguração da fábrica.
O executivo falou da importância da força de trabalho local e disse que, na GWM, a responsabilidade corporativa e o respeito aos direitos trabalhistas são princípios centrais. A citação remete diretamente ao escândalo da BYD, que foi flagrada ao manter trabalhadores em regime análogo à escravidão na construção de sua unidade local
