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GWM se une à VW, Toyota e GM contra incentivos ao Nordeste

Em nota, empresa diz que medida contraria o momento da indústria mundial
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Ana Paula Machado

09 nov 2023

2 minutos de leitura

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A GWM Brasil ainda está instalando suas linhas de montagens locais, mas já se junta às veteranas da indústria local para pedir que o governo não estenda o Regime Automotivo do Nordeste até 2032. Com isso, a empresa faz coro com General Motors, Volkswagen e Toyota, que, publicaram um manifesto a respeito nos principais jornais brasileiros na quarta-feira, 8

Em nota, a empresa chinesa disse que lamenta e repudia a aprovação de incentivos fiscais para a produção de veículos movidos a combustíveis fósseis dentro da Reforma Tributária, “em detrimento de propostas que poderiam estimular a produção de veículos que utilizam tecnologias sustentáveis e promovem a descarbonização”.


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As medidas foram aprovadas como parte da PEC 45, que trata da reforma tributária, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O texto ainda passará por votação final antes de uma eventual sanção presidencial e, portanto, a pressão pública contra os incentivos pode impactar o resultado.

O movimento é uma oposição ao que tem pleiteado a Stellantis, que tem fábrica em Goiana (PE) e, pelo volume de produção, é a empresa a tirar maior proveito dos incentivos. A iniciativa também pode ir contra os interesses de outra montadora chinesa, a BYD, que anunciou produção de veículos em Camaçari (BA) e já apontou que os incentivos fiscais são fundamentais para seguir investindo no Brasil.

Incentivo ao Nordeste é um “retrocesso”

A GWM declarou seu apoio ao manifesto assinado pelas outras montadoras com fábricas no Sudeste e Sul do Brasil. Segundo a empresa, a extensão do REgime Automotivo do Nordeste, que terminaria em 2025, representam um retrocesso do ponto de vista tecnológico e ambiental, além de uma renúncia fiscal prejudicial ao desenvolvimento do país.”

Sem citar fonte para a informação, a montadora chinesa aponta que os incentivos têm custo anual de R$ 5 bilhões para a sociedade brasileira – tendo como base, provavelmente, um relatório elaborado pelo TCU (Tribunal de Contar da União), que não traz, por outro lado, o impacto em geração de tributos das montadoras instaladas na região. A GWM destaca que esse valor que seria destinado “unicamente para estimular uma tecnologia baseada em combustíveis não renováveis, incluindo até mesmo veículos de passeio movidos a óleo diesel”. 

“Em um momento em que a indústria automotiva mundial passa por uma revolução tecnológica que está adotando globalmente a eletrificação, é um contrassenso e desserviço ao país apostar em uma fórmula que está desalinhada com o futuro sustentável do planeta”, conclui a nota.

Em outubro, o chefe de operações da GWM Brasil, Oswaldo Ramos, havia se mostrado favorável aos incentivos fiscais, desde que não “desquilibrem a concorrência”.