
O Brasil se prepara para receber a COP 30 em um mês. O evento que será realizado em Belém (PA) reunirá autoridades de mais de 100 países para criar e definir metas climáticas e debater temas como a transição energética, descarbonização e financiamento climático.
No clima de aquecimento para o evento, o governo brasileiro realizou na segunda-feira, 13, um evento de lançamento, chamado de pré COP 30, no qual ressaltou seus compromissos climáticos.
O presidente da república em exercício, Geraldo Alckimin, afirmou que o Brasil propõe três objetivos centrais para a conferência de Belém.
Dentre eles, reforçar o multilateralismo e o regime de mudança do clima no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC); conectar o regime climático à vida real das pessoas e acelerar a implementação do Acordo de Paris.
Mover é exemplo para inspirar países na COP 30
Alckimin citou na oportunidade o Programa Mover, que concede incentivos fiscais para veículos mais sustentáveis. “É uma política que olha para toda a cadeia produtiva — do aço e das autopeças ao software embarcado — e que consolida o Brasil como referência mundial em mobilidade sustentável”, disse Alckimin.
Além disso, em seu discurso, ele citou a Lei do Combustível do Futuro, que integra política de biocombustíveis no país, conectando biodiesel, etanol, biometano e o novo combustível sustentável de aviação, o SAF.
A lei brasileira estabelece metas obrigatórias para a descarbonização do setor de aviação. A meta começa em 1% com uso de SAF, a partir de 2027, e cresce progressivamente até 10%, em 2037.
Outro exemplo do Brasil é o uso obrigatório da mistura de 27% do etanol anidro na gasolina e, neste ano, foi aprovado o aumento para 30%.
No biodiesel, o caminho é o mesmo, com a mistura subindo de 14% para 15%. “Consolidamos o papel do biodiesel como vetor de sustentabilidade e inclusão produtiva. Com isso, o país reduzirá milhões de toneladas de CO₂ e ampliará o uso de matérias-primas nacionais, promovendo renda no campo e inovação industrial”, contou Geraldo Alckimin.
O Combustível do Futuro é uma tentativa de unir política energética e industrial, criando um ambiente de previsibilidade e sinergia entre energia, transporte e indústria.
“Com essa estratégia, o Brasil reafirma sua vocação como potência em bioenergia e inovação climática. Enquanto o mundo ainda debate caminhos, nós já temos resultados concretos, legislação moderna e governança integrada”, completou.
Na véspera da COP 30, demora para entregar metas preocupa
Faltando apenas um mês para a COP 30, a demora dos países em entregar suas metas, chamadas de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC), é algo que preocupa.
Segundo a agência Brasil, 62 países já entregaram oficialmente o documento, enquanto 101 países prometeram apresentá-lo no evento de Belém.
Na semana passada, o secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty, embaixador Maurício Lyrio, destacou o atraso da entrega de metas de grandes emissores, como União Europeia, Índia e China, que só entregou no fim de setembro.
Outra preocupação é com os Estados Unidos que, apesar de terem metas estabelecidas no governo anterior, o de Joe Biden, o presidente Donald Trump se retirou do Acordo de Paris.
Desafios da COP 30 no Brasil
A COP 30 acontece em um contexto geopolítico complexo com conflitos políticos e bélicos, que impactam o setor automotivo.
Para o secretário Nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Aloisio Lopes de Melo, fortalecer o multilateralismo é essencial no evento.
Outro desafio é a posição de alguns países frente ao tema, como por exemplo, os Estados Unidos que no começo do ano deixaram o Acordo de Paris.
O Brasil, por sua vez, revisou a Política Nacional sobre Mudança do Clima para se alinhar com os compromissos desse acordo e reduzir emissões líquidas de gases do efeito estufa até 2050.
No setor privado, o secretário destaca que as empresas estão direcionadas ao tema e criando inovações para a descarbonização.
Ele afirma, ainda, que a transição energética é um ponto sensível na COP 30. Está acordado entre os países diminuir o uso de combustíveis fósseis e triplicar o uso de energias renováveis.
O secretário pede por um acordo internacional que tenha indicadores para endereçar questões socioeconômicas e fiscais relevantes. “Se não endereçarmos isso, que são 70% das emissões globais, a gente não está falando seriamente de enfrentar a mudança do clima”, concluiu.