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Giovanna Riato e Pedro Kutney, AB
Sérgio Habib, dono do grupo de concessionárias SHC e representante da JAC Motors, anunciou nesta segunda-feira, 1º, que investirá em conjunto com a empresa chinesa R$ 900 milhões em uma fábrica de carros da marca no Brasil. “A participação societária será mista, com capital chinês e brasileiro. Não sei dizer exatamente qual o porcentual de cada um, mas será mais brasileiro”, revelou Habib. O executivo indica ainda que um financiamento do BNDES é “opção forte” para o aporte nacional.
O anúncio foi feito ao lado do vice-presidente mundial da JAC Motors, Daí Maofang, na sede da empresa no Brasil, em São Paulo, capital. A fábrica sino-brasileira começa a produzir em 2014 com capacidade inicial de 100 mil carros/ano, trabalhando em dois turnos com 3,5 mil empregados diretos. Habib estima que o empreendimento deverá gerar outros 10 mil empregos indiretos na cadeia de suprimentos.
A empresa afirma que a estrutura local será completa, com centro de pesquisa e desenvolvimento e até uma pista de testes. O investimento não contempla uma fábrica nacional de motores mas prevê que a planta brasileira sirva de base para exportações a outros países do Mercosul. ”O Grupo SHC não vai se envolver com a venda para estes mercados. A própria JAC vai desenvolver uma rede de distribuição”, explica Habib.
Parque de fornecedores compartilhado
O anúncio do local da planta será feito até o fim do ano. A decisão levará em conta a proximidade de mercados consumidores, boas condições de logística e um parque de fornecedores já estabelecido. Entre as possibilidades citadas por Habib estão o Rio Grande do Sul, região que já abriga uma planta da General Motors, e a Bahia, um dos polos produtivos da Ford. O executivo deu pistas de ter maior interesse em firmar as bases da montadora no Nordeste, mercado com forte potencial de expansão.
Para o empresário, “ter sistemista exclusivo representa um custo maior”. Por isso, as montadoras já instaladas não devem enxergar como problema compartilhar o parque de fornecedores com a JAC. Após a etapa de definição do local, Habib estima que serão necessários cerca de quatro meses para projetar a unidade para enfim iniciar a construção, que levará dois anos.
Modelo novo
O representante da companhia revelou que os carros importados da China chegam ao Brasil com um incremento de 50% no preço, considerando o imposto de importação e o custo do frete. Apesar disso os veículos não ficarão mais baratos com a produção local.
O interesse da companhia é fabricar um modelo completamente novo no Brasil. “Não tem impacto iniciar a produção de um carro que já vendemos aqui”, defende. Segundo ele, o JAC brasileiro será comercializado por até R$ 40 mil e manterá o nível elevado de equipamentos. Os modelos mais caros da marca continuarão sendo importados.
Habib descartou a possibilidade de entrar no segmento de veículos pesados. “Não temos contrato para estes modelos. É um outro ramo”, diz. O mais próximo disso que a operação nacional espera chegar é com a venda de um caminhão leve, de até 2,5 toneladas de peso bruto total. “Importaremos estes veículos mas estamos definindo a questão da mudança de legislação para Euro 5”, revela.
Vendas em 2011
Habib justificou a instalação de uma fábrica local com uma longa explicação sobre o desempenho da marca asiática no País. Segundo o empresário, a JAC já detém 1% do mercado total e 2% das vendas nas regiões com maior concentração de concessionárias, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. No entanto, os dados do Renavam divulgados pela Fenabrave indicam um cenário diferente. Segundo o levantamento, a empresa comercializou 11,2 mil unidades no ano e ficou com 0,5% do mercado nacional.
“O nosso próximo passo é encostar na Mitsubishi e na Nissan”, apontou Habib. As duas japonesas estão logo acima da marca no ranking de vendas, mas a diferença é considerável. Entre janeiro e junho a Mitsubishi deteve 1,53% do mercado, com 29 mil unidades, já a Nissan garantiu market share de 1,63%, com 31 mil veículos.
Habib projeta o emplacamento de 45 mil carros da JAC este ano. A expectativa é um tanto otimista já que, para alcançar este volume, seria necessário acelerar o ritmo para 6,7 mil unidades por mês entre agosto e dezembro, volume semelhante ao que a Honda comercializou em julho. O executivo estima que, a partir da metade de 2012, a marca responderá por 3% das vendas ao mercado brasileiro, mesmo só com modelos importados. Para ele, em 2013 a companhia chinesa estará consolidada com este volume, o que justifica a produção local.
“Com bilhões em investimento na rede de concessionárias, não podemos ficar expostos a variações cambiais”, explica o executivo. Segundo ele, a marca alcançará 80 revendas ainda em 2011 e, com ritmo de 100 mil unidades anuais, é necessário estruturar operação local para garantir fôlego para as vendas.
Assista à entrevista exclusiva com Sérgio Habib, dono do grupo de concessionárias SHC e representante da JAC Motors no Brasil:
