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Marcelo de Paula e Giovanna Riato, AB
Muito se fala de carros do futuro com motor híbrido ou totalmente elétricos. Pois quem visitar o estande da Honda durante o Salão do Automóvel poderá conferir dois modelos futuristas da marca.
Um deles, o híbrido Insight já está sendo comercializado fora do país (vendeu 1300 unidades na Grã-Bretanha). Ele tem motor a gasolina que trabalha em conjunto com um propulsor elétrico. Com espaço para cinco pessoas, o Insight tem novidades como o Ecological Drive Assist System, que monitora o estilo de condução (aceleração e frenagem do motorista) e sistemas que auxiliam na redução de consumo e de emissões.
A montadora apresentou ainda o conceito elétrico EV-N. O destaque é a possibilidade de carregar a bateria do compacto na tomada ou com energia solar, captada por um painel acoplado ao veículo. O modelo tem autonomia de 100 quilômetros e necessita de oito horas para recarregar a bateria.
O compacto conta ainda com airbag e computador de bordo, além de poder carregar na porta um outro veículo, o U3-X. Semelhante a um patinete, o dispositivo de mobilidade se locomove de acordo com a inclinação do corpo. Ao parar o carro, o motorista pode remover o equipamento da porta e, ao invés de caminhar, usá-lo para se locomover.
Mercado
O vice-presidente comercial da Honda América do Sul, Issao Mizoguchi, apontou que a empresa espera comercializar 125 mil veículos no Brasil em 2010. Deste total, 20 mil serão importados. Para 2011, a estimativa é crescer ao ritmo do mercado, entre 5% e 7%, e manter o market share de 3,7%. A missão não será tão fácil quanto parece.
A questão é que a Honda atua no mercado de veículos médios, que cresce numa proporção menor do que os carros de pequeno porte e de entrada. Esse fator somado à iniciativa de concorrentes de investir em carros mais baratos pode reduzir bastante o market share da montadora.
“Não podemos olhar apenas para a questão de participação de mercado. O Brasil é bem diferente da Ásia e de outros países. O público tem preferência por produtos específicos. Um compacto vendido na Índia, por exemplo, não serve para ser vendido aqui”, disse, explicando que os compactos nacionais precisam ter autonomia muito alta e motores flex.
Para atender ao mercado local e manter a presença no mercado, a companhia estuda a possibilidade de produzir um carro compacto no Brasil, mas não tem nada efetivo ainda. “Nenhum projeto está em andamento, mas é claro que analisamos essa possibilidade”, afirmou.
Além de pensar em ampliar a atuação em outros segmentos, a Honda trabalha para aumentar o índice de nacionalização dos modelos que já comercializa, que fica hoje em torno de 60%. “Sempre buscamos um crescimento deste volume”, conta Mizoguchi. Para isso, a empresa investe anualmente cerca de US$ 150 milhões, valor que também envolve a manutenção de máquinas e equipamentos e atualização de produtos.
O executivo também comentou que a nova fábrica da empresa, que está em construção na Argentina, deverá entrar em funcionamento em meados de 2011, com produção de 5 mil veículos por ano para atender apenas o mercado doméstico daquele país.
