
Ainda assim, tudo indica que ambos os objetivos serão cumpridos com louvor: a boa reputação da marca há tempos vem superando reajustes na tabela e o novo Civic já inicia sua trajetória comercial com 2 mil unidades já vendidas, encomendadas por clientes que pagaram 10% do valor do veículo para serem os primeiros a receber o carro – e a maioria quer a versão Touring, a mais cara, única que chega equipada com o novo motor turbinado 1.5 de 173 cv, importado e disponível só a gasolina, aliado a câmbio CVT.
“O Civic é sinônimo da Honda no País e sua evolução agora é fruto de um projeto global da empresa, de criar carros emocionais e funcionais. Toda a evolução tecnológica incorporada à nova geração do Civic de nada adiantaria se ele não fosse bonito”, resume Issao Mizogushi, presidente da Honda South America, para explicar porque confia que o sedã vai cumprir sem problemas a missão de preservar a boa imagem da marca por aqui. “Com a chegada do novo Civic, agora temos aqui uma moderna linha de produtos globais”, completa.
“Elevamos o padrão do Civic com uma nova plataforma superior à geração anterior. Também inovamos a gama, com cada versão (no total de cinco agora) completa de série e pensada para públicos específicos”, diz o vice-presidente Roberto Akiyama. Com essa reconfiguração, a expectativa é que a versão Touring de quase 125 mil represente 28% das vendas do novo Civic, ao atrair público mais sofisticado, interessado em maior desempenho, preenchendo uma faixa de mercado que foi esvaziada pela maioria das marcas premium como Mercedes-Benz e BMW, que subiram seus preços nessa faixa de mercado para além dos R$ 150 mil.
Dentre as demais versões que usam o já conhecido motor 2.0 flex de 155 cv e agora são equipadas com câmbio automático CVT, a Honda avalia que a EX (R$ 98,4 mil) e a EXL (R$ 105,9 mil) continuarão a atrair os clientes tradicionais e fieis do Civic, e por isso as duas somadas devem representar 48% das vendas. A nova opção Sport (R$ 87,9 mil com câmbio manual e R$ 94,9 mil com CVT), segundo a Honda, fica com 24% dos emplacamentos esperados e foi pensada para um tipo de público mais jovem.
PROPAGANDA E FINANCIAMENTO ESPECIAL
A segunda parte da missão, de superar o aumento de preços e recuperar o nível de vendas do modelo, será feita com propaganda – a começar pelo evento simultâneo de lançamento em todas as concessionárias Honda que vão receber clientes para apresentar o novo Civic na quinta-feira, 25 – e a ajuda de um plano de financiamento criado pelo Banco Honda especialmente para o sedã.
O Plano Unique prevê entrada mínima de 30% do valor do veículo, o parcelamento de outros 40% em até 36 meses e o pagamento de uma parcela final de 30%, que pode ser refinanciada em até 18 vezes. Com isso, as prestações intermediárias ficam 22% menores do que as de um CDC convencional. Para o financiamento em 36 meses, a taxa é de competitivos 1,54% ao mês e o valor das parcelas intermediárias varia de R$ 1.867 (versão Sport 2.0 com câmbio manual) a R$ 2.627 (Touring 1.5 turbo automático CVT). “É uma boa opção para quem quer trocar de veículo a cada três anos e aproveita o bom valor de revenda da linha Honda”, explica Akiyama.
RECUPERAÇÃO PROGRAMADA
Há tempos o Civic se consolidou como segundo sedã médio mais vendido do País, sempre atrás do Toyota Corolla, mas no último ano se distanciou bastante do principal concorrente. De janeiro a julho deste ano, o Corolla subiu ao posto de sexto carro mais vendido no Brasil, com 37,8 mil emplacamentos, número quatro vezes maior que os anotados pelo Civic, que desceu ao 32º lugar do ranking, com 9,3 mil unidades emplacadas no período. Isso representou apenas 13% do total comercializado pela Honda no Brasil, enquanto no mesmo intervalo de 2015 esse índice era de 24%.
A queda nas vendas do Civic este ano já era esperada pela Honda, já que a chegada da nova geração agora era conhecida há mais de um ano, quando o modelo foi lançado nos Estados Unidos. O design bem mais arrojado e a incorporação de novas tecnologias fizeram muitos consumidores esperarem pelo carro renovado. Daí a expectativa de que o Civic recupere o nível “normal” de 3 mil unidades vendidas por mês. “Mas estamos prontos a atender o mercado”, ressalva Akiyama.
Ainda que o novo Civic traga reforço nas vendas, não deve ser suficiente para ativar a segunda fábrica da Honda no País, que há quase um ano repousa pronta em Itirapina (SP) para entrar em operação só quando o mercado brasileiro der sinais mais evidentes de recuperação. O nível de produção projetado pera este ano é de 120 mil unidades, volume que pode ser integralmente atendido pela planta de Sumaré (SP), que atualmente trabalha em dois turnos para montar todos os quatro modelos da marca feitos no Brasil (Fit, City, HR-V e Civic) em uma única linha. “Praticamente não temos estoque hoje, trabalhamos no nível ideal. Para fazer Itirapina entrar em operação seriam necessários no mínimo 60 mil unidades por ano a mais do que fazemos hoje”, explica Mizogushi. Segundo ele, se essa demanda acontecer, a nova fábrica ainda precisaria de seis meses para começar a produzir, pois embora o maquinário esteja todo instalado, é necessário contratar e treinar novos empregados.
“Ainda não temos previsão de quando Itirapina pode entrar em operação, mas o Brasil é rápido para cair e rápido para subir. Precisa de estabilidade política e aí vem a estabilidade econômica. Com a retomada da confiança do consumidor estamos certos que as vendas voltam a crescer. Por isso nossa visão de longo prazo é de crescimento”, avalia o executivo.