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de carro por aí

Honda HR-V, nada de jipinho

Honda ganhou a surda corrida travada com Fiat, Renault, Ford e Peugeot para apresentar novidade no segmento dos Sport Activity Vehicles – estes erroneamente chamados jipinhos. É o tipo da moda, com vendas crescentes e concorrentes em erupção.
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Redação AB

12 mar 2015

11 minutos de leitura

O solitário EcoSport encontrou o Renault Duster para dividir vendas. Isso motivou outras marcas a criar produtos para entrar na disputa. A Jeep fez o Renegade, com maior aptidão de valentia, motor diesel, câmbio de oito marchas nas versões de topo. Ford mudará motorização do EcoSport; Na Renault, pequenos ajustes estéticos frontais, trato interno em qualidade e melhor ajuste dos painéis de plástico no Duster. Peugeot criou conceito misto de monovolume com crossover chamando-o 2008. Maio.

NA FRENTE

O HR-V, significando Hi-rider Revolutionary Vehicle chamar-se-ia Tsuya ou Vezel, seu nome europeu. A sigla retorna de produto assemelhado, vendido apenas no Japão e na Europa entre 1999 e 2006. Não tem a pretensão de parecer jipinho – nome a exibir o desconhecimento de quem o emprega -, como alguns dos frequentadores do mercado intentam sugerir disposição e capacidades inexistentes.

Muito pelo contrário, assume ser cruzamento de utilitário esportivo com habitáculo, comportamento e linhas traseiras fluidas de cupê. A Honda escapou da pretensão e fez um quatro-portas, com jeito e andadura de cupê, optando por refiná-lo, por incluir equipamentos ora inexistentes nos concorrentes, como o freio de mão eletrônico acionado quando o HR-V para, o mecanismo para detê-lo em subida, dando tempo ao motorista de acelerar sem trancos.

É formula de agrado ao uso e ao visual. A base é a plataforma do Honda City com intervenções de reforço, colocação de nova suspensão traseira específica e, como a coluna informou em antecipação, o motor 1.8 do Civic produzindo 140 cv. Transmissão manual de seis velocidades – apenas na versão de entrada – e outra CVT, de polias variáveis. Freios a disco nas quatro rodas.

A ideia dos designers foi dar atmosfera de qualidade, perceptível na decoração, no padrão dos materiais, na harmonia de linhas. O console central, presente em todas as versões, bem pontua a pretensão de oferecer sensação de habitabilidade.

O isolamento termoacústico dá sensação de automóvel de categoria superior e a Honda conseguiu levar ao HR-V as mágicas dos arranjos internos do Fit. O revestimento do porta-malas será argumento de vendas contra o EcoSport, atual líder, descompromissado nessa área.

E a incrível capacidade de nivelar todos os bancos, transformando-se em carregador de um metro cúbico de bagagem, será argumento de sensibilização feminina. Um bom foco. Mulheres hoje consomem ou definem a compra em 70% dos casos.

No uso é agradável. Direção precisa, estável, motor perdeu as vibrações e a aspereza encontrada no Civic, é disposto e vai aos 6.500 rpm sem questionamento. Freios ótimos.

Mulheres e homens dissociados da operação motora gostarão muito. O restante, os trocadores de marcha, os usuários de freio motor em carros de transmissão automática, nem tanto. Motores tocando o câmbio CVT não sobem de giro a cada marcha.

Ao contrário, têm lá suas rotações e comandam o câmbio, trocando marchas sucessivas, como se fosse uma usina independente. A ausência das alavanquinhas de trocar marchas, pedantemente chamadas Paddle Shift, acentua a carência. Não se reduz pela alavanca da transmissão CVT, exceto para a marcha L, equivalente e reduzida como uma primeira de câmbio mecânico. Só a versão de topo tem tais aletas.

Entretanto, esses consumidores são poucos e cada vez mais raros neste universo de consumo e pela nova óptica sobre os automóveis. Carro de hoje está sendo induzido a ser tablet sobre rodas.

Preços sugeridos

LX manual – R$ 69,9 mil;
LX CVT – R$ 75,4 mil;
EX CVT – R$ 80,4 mil;
EXL CVT – R$ 88,7 mil.

Acredita-se que venderá bem. Sérgio Bessa, diretor comercial, crê em 50 mil unidades em 2015. Número grande. Exercício passado, o EcoSport vendeu 53 mil, ante 47 mil Duster. Honda projeta para a versão de entrada apenas 1% do total; mesma LX e transmissão CVT, 11%; EX, 42%; e EXL, líder, 46%. Após primeiros meses haverá freada de arrumação e a versão EX deve assumir a liderança.

Conversei com ágil revendedor. Estava feliz com os preços, sorridente como um gato de desenho animado. Permiti-me interpretar sobrepreços nos primeiros meses.


Honda HR-V. Não é jipinho para enganar-mãe-de-moça

MINI COM CINCO PORTAS

Grupo BMW dispõe à venda o novo Mini cinco-portas, conformação nunca vista nas quase seis décadas de existência deste produto. Diz a fabricante, o ganho de 7,2 centímetros na distância entre eixos e de 16,1 cm em comprimento deu espaço aos passageiros do banco posterior, sem perder a característica de comportamento reativo como a de um kart. Versão implementou a segurança e a conectividade.

Maior novidade desta opção é ser uma espécie de avant première, pois será feita no Brasil, quando a grande oficina de montagem implantada pela BMW em Araquari (SC) se transformar em fábrica. Mesmo critério de antecipação vale para o motor de três cilindros, 1,5 litro, turbo, 136 cv. Versão Cooper S emprega o conhecido quatro cilindros, 2,0 litros, turbinado, gerando 192 cv – é a evolução do motor EtorQ 1.6 produzido pela Fiat no Paraná.

Em ambos há quatro válvulas por cilindro, injeção direta e comando de válvulas variável. Transmissão automatizada com seis velocidades e o sistema Auto Start-Stop, cortando o motor nas paradas para deter consumo e emissões.

Em segurança, além das obrigatórias bolsas de ar frontais também as há nas laterais e de cortina, cintos de três pontos e Isofix para cadeirinha infantil no banco traseiro. Na atual moda de conectividade, sistema apto ao acesso a redes sociais e recursos de entretenimento. A versão superior Cooper S porta head up display, em língua pátria a projeção de informações no para-brisa, à frente do motorista.

Preços sugeridos

Cooper S – R$ 105.950;
Cooper S Exclusive – R$ 122.500;
Cooper S Top – R$ 139.950.

PROMOTOR DE VENDAS

O Mini chega à festa na quinzena das novidades em SUV e SAV, para disputar o mesmo público dos carros-grife. Não cumprem apenas a função de transporte, mas a de oferecer um carimbo de charme a seus usuários. São carros de nicho, charme sobre rodas. Nesta beirada dividirá mercado com outras novidades, as versões de preço superior de Honda HR-V, apresentado nesta semana, e Jeep Renegade, a ser mostrado nos próximos dias, ambos com as versões superiores a preço menor ao da versão de entrada do Mini 5 portas.


Mini cinco-portas. Charme em medida maior

RODA A RODA

Proteção – Um dos maiores mercados mundiais para automóveis blindados, Brasil inicia venda do Mercedes 250 turbo Avantgarde VR4, blindado de fábrica. Projeto desenvolvido especialmente, a blindagem é agregada ao 250 na linha de montagem. Suspensão, direção e freios são dimensionados ao veículo, mais pesado pelas adições do material de proteção.

Conjunto – Motor 2.0, 16 válvulas, injeção direta, turbo, faz 211 cv, torque em torno de 30 quilos, vai de 0 a 100 k/h em 8,9 segundos, velocidade final de 240 km/h, cortada eletronicamente. O nome VR4 indica nível de blindagem, resistente a armas portáteis como Magnum 44. Pesa 2.610 quilos, quase 1t superior ao não blindado. Venda pela rede Mercedes, garantia de dois anos, R$ 339.900.


250 Turbo Avantgarde VR4, Mercedes blindado de fábrica

Negócio – DPCA, joint venture entre francesa PSA Peugeot Citroën e chinesa Donfeng, iniciou fazer o sedã médio Fengshen L60, desenvolvido com apoio técnico da PSA. China é aposta francesa para internacionalizar, recuperar fluxo de caixa e lucros.

Questão – Chery encomenda montagem parcial de alguns de seus produtos no Uruguai, entre eles Tiggo e Face. Vende-os no pequeno mercado interno, à Argentina e ao Brasil. Travas baixadas pelo governo argentino para não gastar dólares, impõem dificuldades – como carros barrados na fronteira desde dezembro. E, por isso, a montadora Oferol parou a linha de produção dos Chery.

Furca – Questão posta é: se mantiver a produção a Chery pagará pelos carros não vendidos e estocados? A Chery bancará os estoques? Ou mudará o projeto industrial no Brasil, aumentando o índice de nacionalização para fazê-los aqui? Dúvida deve ser incômoda. Consultada, a Chery manteve-se muda.

De novo – Volkswagen apresentará versão Dark Edition do picape Amarok. Pedindo reformulação, tal edição é apelo às vendas. Primeiro do tipo foi apresentado no Salão de Frankfurt, 2013, e bisado no de Genebra, dias passados. Marca-se por arco de proteção, para-choques traseiros, poleiros laterais, espelhos e maçanetas em cor preta. Usualmente, o faz em contadas 300 unidades. Não deve ser o caso.

Caminho – Listadas as vendas de fevereiro e do primeiro bimestre, houve contração de 2,8%, comparados os números de janeiro. Em relação a 2014 encolheu 28,9%, quase um terço. Mês curto, carnaval, inflação e receio quanto ao desgoverno do governo atrapalharam.

Difícil – Se o mercado para produtos domésticos caiu 2,8% entre janeiro e fevereiro, no caso dos importados o quadro econômico é cinza-escuro. No mesmo período, vendas decresceram 22,9%. No comparativo de bimestre com o ano passado, quedas em 32,5%.

Resultado – Barrar os importados pelo simplório levar o imposto alfandegário ao teto e pelo acrescentar 30 pontos porcentuais ao elevado IPI tem sido a fórmula de dificultar presença no mercado brasileiro, evitando a construtiva comparação com os nacionais. Bom para fabricantes locais, péssimo para o País. A acomodação deixa os nacionais não competitivos e não exportáveis.

Decolagem – Audi comemora crescimento no bimestre e 10% em relação ao mesmo período em 2014. Crê no crescimento do bloco premium, o qual quer liderar.

Bom senso – México foi generoso com o Brasil firmando novo acordo comercial a viger por quatro anos. Nele cada país poderá importar até US$ 1,56 bilhão/ano sem imposto de importação. O montante se elevará em 3% em 2016 e prevê livre comércio em 2019.

Gatilho – Volkswagen foi rápida. Sacramentado o acordo, anunciou investir no México para fazer o Tiguan de sete lugares – sobre plataforma MQB do novo Golf. Quer baixar preço para vender mais no Brasil. Hoje traz da Alemanha.

Mão inversa – Mais de 20 anos de operação morna no Brasil, representante da ótima japonesa Subaru percebeu o quanto a marca é querida e admirada por seus proprietários. Daí mudou a linha publicitária para absorver opiniões e histórias pelo Conselho Consultivo formado por 15 clientes. Quer reunir e ouvir as sugestões de quem está na lida com a marca.

Novidade – Uruguai já licencia veículos com a nova placa Mercosul, padrão entre os países-membros, Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela. Brasileira terá quatro dígitos numerais e três letras, vigendo a partir de 2016 para emplacamentos novos, opcional aos usados.

Sinergia – Shell e BMW acordaram sobre os carros da Série M, de maior desempenho, e os de competição de sua divisão Motorsport na temporada DTM e USCC. Série M utilizará óleos lubrificantes Shell Ultra e os de competição, a gasolina V-Power, diferente da fornecida no Brasil pela ausência do álcool.

Beleza – Fiat aproveitou a descoberta nacional da bem recortada plástica da atriz Paolla Oliveira, sagrada pela minissérie “Felizes Para Sempre?”, recém-exibida pela Rede Globo, e contratou a moça. Apresenta campanha de vendas baseada nos 13 anos de liderança da marca. Faz graça oferecendo parcelas reduzidas a R$ 13 nos meses de maior aperto do financiado.


Atriz Paolla Oliveira vende Fiat

Corrida – Rede Jeep, em implantação, corre para iniciar em 4 de abril as vendas do Renegade. Algumas estão perdendo a corrida para o prazo.

Mais – PPG amplia recente planta industrial em Sumaré, SP, para produzir resinas a ser aplicadas em tintas industriais e automotivas.

Luz – Alemã Osram incrementou suas lâmpadas Super Brancas em até 20% mais luz ante as anteriores. Chama-as Cool Blue Intense. Entre R$ 55 e R$ 210.

Costura – Passo de cuidado social, fábrica VW em São José dos Pinhais, PR, mantém projeto Costurando o Futuro, de reaproveitamento de tecidos utilizados na produção. Noventa moradoras de comunidades vizinhas aprenderam corte e costura e aulas de empreendedorismo para criar negócio próprio. Em cinco anos aproveitaram e transformaram 72 toneladas de tecidos.

Memória – High Speed TV iniciou o programa Old Races, com corridas clássicas do passado, seus veículos e pilotos. À frente, Pedro Rodrigo, João Vasconcelos e Alexandre Röschel. No ar às segundas-feiras: https://www.youtube.com/watch?v=zIpAc32afRs

Moto – Austríaca agora importada pela Dafra, a 1190 KTM Adventure tem motor V2 que produz 148 cv e pesa apenas 217 quilos. Chassi tubular, acelerador eletrônico, suspensões de grande curso, freios Brembo a disco nas duas rodas. R$ 79,9 mil.


KTM 1190 Adventure a R$ 79,9 mil. Preço de automóvel