logo

alexandre cury

Honda muda motor das motos CG 150 para 160 cc

A Honda substituiu o motor da linha CG 150, a mais vendida no Brasil, por outro de 160 centímetros cúbicos, com até 15,1 cavalos, 5,9% a mais que o anterior. As novas motos chegam à rede em setembro em duas versões. A CG 160 Fan tem preço sugerido de R$ 7.990, reajuste de 8,6% sobre a geração anterior. E a CG 160 Titan passou a R$ 9.290, valor 7,5% mais alto.
Author image

cria

08 ago 2015

5 minutos de leitura

G_noticia_22472.gif

Para explicar a importância desses modelos no mercado nacional é só dizer que das 749,5 mil motos novas emplacadas de janeiro a julho elas responderam por 205,1 mil unidades, o equivalente a 27,4%. Como comparação, o Fiat Palio, carro mais vendido, deteve 5,9% do total de automóveis zero-quilômetro licenciados no mesmo período.

As novas motos de 160 cc já estão adequadas à segunda fase do Promot 4, programa de controle de emissões por motos que entra em vigor em 1º de janeiro de 2016. A Honda não informa oficialmente, mas dá a entender que o motor de 150 cc vai só até o fim do ano por causa das vendas por consórcio dos modelos CG 150 Start e CG 150 Cargo. Também faz crer que a linha CG 125 trocará o carburador pela injeção eletrônica.

“Todos os motores terão de receber mudanças mais profundas por causa da nova fase do Promot. Até o fim do ano divulgaremos nossa estratégia”, afirma o diretor comercial da fabricante, Alexandre Cury. Outra mudança resultante do programa de controle de emissões começa a ser aplicada em alguns tanques de combustível. Nas CG 160 eles receberam um sistema de recirculação dos vapores para evitar que a moto libere hidrocarbonetos quando parada sob o sol.

O ano que se aproxima traz também para a indústria de motocicletas a obrigatoriedade de aplicação de freios dianteiro e traseiro combinados (CBS) ou com sistema antitravamento (ABS) em parte da produção. Segundo Cury, as Honda atualmente equipadas com essas tecnologias já atendem a legislação. “Adotamos o CBS na Titan desde o ano passado por ser um modelo de grande volume e temos motos que só são produzidas com ABS, como a CBR 500 R.”

De acordo com o executivo, as mudanças na CG 160 não alteraram a base de fornecedores da fábrica de Manaus. São cerca de 150, considerando os principais. “É sempre interessante nacionalizar, ainda que o preço das peças seja ligeiramente mais alto, porque nos dá mais flexibilidade quando ocorre uma modificação de projeto”, diz Cury.

A REDE ATUAL E O MERCADO

Sobre o tamanho da rede de concessionárias, o diretor comercial afirma que permanece estável, com cerca de 1.280 unidades. “Nunca passamos de 1,3 mil. O que tem ocorrido é o fechamento de lojas com reabertura em outros locais com maior potencial. Também tem havido o enxugamento da estrutura, do quadro de funcionários e redução dos custos fixos”, diz. A Honda iniciou o ano preparada para uma queda de cerca de 5%, que já está em 9,9%: “Mas não é nada que a gente não consiga ajustar porque o setor de motos já esperava um ano duro.”

Ainda entre as mudanças que ocorrem na rede está o aumento da aceitação da moto usada como parte do pagamento. “O momento exige. É uma necessidade de quem compra e o concessionário não pode perder mais vendas por causa disso”, diz Cury. Ele afirma que os estoques das CG 150 nas revendas devem durar entre um mês e um mês e meio, tempo suficiente para o abastecimento com os modelos de 160 cc. As concessionárias também já começaram a receber a nova Pop 110i, a Honda mais acessível feita no Brasil.


Além da mudança de motor, a CG 160 Fan (à esquerda) recebeu novo tanque, carenagem de farol da cor da moto e rodas de liga leve. Titan teve mudanças mais profundas. Além de tanque e defletores laterais, a Honda alterou rabeta, carenagem do farol, rodas e o painel, agora com conta-giros.

O QUE MUDA NA LINHA CG 160

O motor agora adotado nas Fan e Titan tem cilindrada exata de 162,7 cc. Como o anterior, utiliza injeção eletrônica e é bicombustível. Seu torque máximo é de 1,61 kgf.m, aumento de 11% sobre o de 150 cc. O projeto é bem diferente do anterior, não foi só um aumento de cilindrada. O cabeçote e a parte onde estão fixados os balancins e o comando de válvulas são agora uma única peça.

O pistão está mais leve e a árvore de balanceamento ou “balanceiro” tem agora dois contrapesos (um de cada lado) em vez de um único centralizado. Essas e outras melhorias técnicas permitiram à Honda estender de 4 mil para 6 mil quilômetros os intervalos das revisões. A garantia se manteve em três anos e a rede Honda não cobra as sete primeiras trocas de óleo (a cada 6 mil km como as revisões).

As duas CG 160 tiveram alterações estéticas, mais profundas na Titan. Seu tanque tem novo desenho, defletores laterais maiores e um bocal de abastecimento com dobradiça, típico de motos grandes. A capacidade se manteve em 16,1 litros. A carenagem do farol e a rabeta mudaram e o painel agora tem conta-giros. A Fan também recebeu as mudanças do tanque, mas com defletores menores. Manteve iguais a rabeta e a carenagem do farol. Esta agora é pintada da cor da moto em vez de preta. O quadro das duas é o mesmo da geração anterior, exceto pelos pontos de fixação do motor.

Automotive Business comparou as CG 160 com as versões de 150 cc. Foi fácil perceber a diferença na pista de asfalto do Centro Educacional de Trânsito Honda (CETH) de Recife, Pernambuco. A maior força em rotações baixas torna a moto bem mais ágil em diferentes situações. Embora a Honda não divulgue dados oficiais de desempenho, sabe-se que a velocidade máxima subiu cerca de 5 km/h (de cerca de 110 para 115 km/h). O consumo estaria até 8% mais baixo.

O motor 160 não é exatamente uma novidade na Honda. Sua estreia ocorreu no fim de 2014 na NXR 160 Bros, a terceira moto mais vendida no Brasil (115,1 mil unidades em 2015). Nesse modelo a potência máxima é um tiquinho mais baixa (14,7 cv com etanol).