
Assim como os produtos concorrentes, o PCX 150 tem grande dependência de componentes importados da Ásia. Seu conjunto motor-transmissão e os pneus, por exemplo, vêm da Tailândia. Sistemas de iluminação e painel de instrumentos também são importados. Carenagem, pintura e quadro (chassi) são feitos no Brasil. O produto era aguardado com alguma ansiedade, já que seu desempenho permite o uso em vias rápidas e pequenas viagens.
“Vamos fazer mais de mil unidades por mês”, afirma o engenheiro e gerente de relações institucionais, Alfredo Guedes Júnior. A Honda não revela o investimento para trazer o novo produto. A decisão foi tomada pelos resultados do Lead 110, que desde sua estreia até o momento teve cerca de 68 mil unidades vendidas.
Em 2011, seu melhor ano, foram 20.945 unidades, quase o triplo do segundo colocado. “O PCX 150 vem fortalecer essa base criada pelo Lead, assim como ocorre com as motos CG 125 e 150”, diz Guedes.
Com o estreante, a Honda quer atrair usuários que têm carro, mas procuram um segundo veículo diferenciado para livrar-se dos congestionamentos. “Ele também servirá como próximo passo para aqueles que já têm um Honda Lead ou uma Biz”, afirma Guedes. O modelo tende a atrapalhar as vendas do Dafra Citycom 300, que conta com uma rede menor de revendas e, por ser maior e mais potente, também tem preço sugerido mais alto, R$ 13.990.
TECNOLOGIAS EM MOTOR, TRANSMISSÃO E FRENAGEM
O PCX 150 inova por trazer um sistema denominado Idilling Stop System, que atua como os Start-Stop que equipam alguns automóveis importados. É o primeiro veículo de duas rodas à venda no Brasil com esse recurso que ajuda a reduzir consumo e emissões. Três segundos após parar o scooter no semáforo, seu motor desliga. Para colocá-lo em movimento basta reacelerar. A resposta é imediata. O mesmo magneto que gera corrente para o sistema elétrico atua como motor de arranque.

Painel traz informações básicas e marcador de combustível. Espaço sob o banco leva capacete e ainda sobra lugar para objetos menores. Lanterna traseira é um dos vários componentes importados. Novo scooter utiliza sistema CBS, que integra os freios dianteiro e traseiro, aumentando a segurança do piloto
Também para economizar combustível, o PCX 150 utiliza em sua transmissão automática o Enhanced Smart Power (ESP), um sistema que promove o alongamento da relação de transmissão sempre que o scooter está em velocidade constante, reduzindo assim as rotações do motor.
Quem anda ou já andou de moto ou scooter sabe que em regra os freios dianteiro e traseiro são acionados de forma independente. No scooter PCX 150, o sistema Combined Brake System (CBS) promove a frenagem das duas rodas de forma conjunta, mesmo que o piloto só pressione o manete direito (freio dianteiro, a disco) ou esquerdo (traseiro, a tambor). O CBS também é utilizado no Lead 110 e em motocicletas Honda equipadas com sistema antitravamento, ABS.
MUITO FÁCIL DE PILOTAR
Os produtos chamados de scooters equivalem às motonetas Vespa e Lambretta que fizeram sucesso nos anos 1950 e 1960 no Brasil, equipadas com câmbios de três ou quatro marchas acionados pela mão esquerda. Nesses veículos atuais, prevalece uma transmissão automática com polias variáveis, o que facilita demais a pilotagem.
Assim é o PCX. Seu motor tem cilindrada exata de 153 centímetros cúbicos, refrigeração a líquido e injeção eletrônica. Alimentado por gasolina, produz 13,6 cv. Bastante ágil nas saídas de semáforo, ele pula na frente até de motos urbanas. A altura do assento (76 centímetros) e o peso relativamente baixo (124 quilos) permitem que pessoas com 1,60 metro se sintam à vontade para pilotá-lo.
Durante um teste, ele mostrou bom desempenho também em estrada e chegou, no velocímetro, perto dos 120 km/h de velocidade máxima (a Honda não informou dados de desempenho nem consumo). Outra vantagem do PCX 150 está na praticidade. Debaixo do banco cabe um capacete e ainda sobra espaço para pequenos objetos. Abaixo e à esquerda do painel de instrumentos há um pequeno porta-luvas.
O preço competitivo do PCX se deve à origem asiática de seus componentes, já que uma Honda CG 150 Titan EX, com índice de nacionalização bem maior, tem tabela de R$ 7.630 e entrega muito menos tecnologia, ainda que seja flex.
Quem andou em um ciclomotor na adolescência (Caloi Mobylette, por exemplo) não terá dificuldade com um destes, mas vale dizer que é preciso ter habilitação na categoria A, obrigatória para conduzir veículos motorizados de duas e três rodas. O motorista que já habilitado para automóveis ou veículos de carga precisa fazer o que se chama de “adição de categoria”.