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Honda repensa estratégia para vender mais carros híbridos e elétricos

Marca quer cortar custos na produção e aumentar volume de vendas para investir em pesquisa e desenvolvimento
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Vitor Matsubara

13 mai 2024

4 minutos de leitura

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A Honda está reformulando sua estratégia global de eletrificação. A ideia é estabelecer uma abordagem verticalmente integrada que englobe desde baterias e softwares até a produção de veículos.

Essa estratégia está obrigando a Honda a bater recordes de gastos em pesquisa e desenvolvimento, como admitiu o CEO da Honda, Toshihiro Mibe, durante a divulgação dos resultados anuais da empresa.


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Um exemplo dessa “decisão custosa” foi o recente investimento de US$ 11 bilhões em baterias e produção de carros elétricos no Canadá.

“Nós mudamos um pouco a nossa estratégia em termos de eletrificação, especialmente no que diz respeito às baterias. Estamos indo para um sistema mais verticalizado para sustentar o negócio de eletrificação como um todo. E para fazê-lo, precisamos internalizar essas tecnologias. O software também precisa ser bancado pela Honda”, disse Mibe, que prometeu dar mais detalhes da estratégia na próxima quinta-feira (16).

Modelo da BYD é exemplo para Honda

A estratégia remete aos primórdios da indústria automotiva, quando a Ford tentou produzir praticamente todos os componentes empregados em um automóvel por conta própria.

Essa ideia ressurgiu com força com a adaptação para carros elétricos e a ascensão de competidores emergentes, como a BYD. Os chineses são capazes de controlar custos e tecnologias ao organizar sua própria cadeia de fornecedores de forma vertical – algo que a Honda também tentará fazer.

Na Europa, Renault, Volvo e Stellantis estão entre as fabricantes que decidiram produzir motores elétricos e baterias em seus próprios domínios.

Meta é aumentar vendas de carros híbridos

A Honda pretende incrementar as vendas de carros híbridos para gerar caixa suficiente para financiar uma transição para a próxima geração de veículos puramente elétricos. A medida é tida como crucial para os planos da Honda de encerrar a produção de motores de combustão a partir de 2040.

De acordo com a agência de notícias “Automotive News”, executivos afirmam que a rentabilidade dos modelos híbridos já se equipara a dos veículos movidos exclusivamente a gasolina. A Honda diz que o custo de produção está caindo rapidamente.

Globalmente, a marca japonesa vendeu 800 mil carros híbridos no ano fiscal que se encerrou no dia 31 de março. A meta é incrementar esse volume para 1,2 milhão de veículos no ano fiscal atual e chegar a 2 milhões de veículos híbridos comercializados mundialmente a partir de 2030.

“Se nós conseguirmos fazer isso, vamos ter maior capacidade para gerar fluxo de caixa e conduzir o processo de eletrificação”, afirmou Mibe.

Enquanto isso, a Honda já despeja bilhões de dólares no desenvolvimento de novas tecnologias e produtos. Neste ano fiscal, a marca gastou nada menos do que US$ 7,65 bilhões em pesquisa e desenvolvimento – um aumento de 23% em relação ao ano anterior.

Nova linha de carros elétricos em 2026

Atualmente, a fabricante trabalha no desenvolvimento de uma nova família de carros elétricos que tem previsão de estreia para 2026.

A plataforma conhecida como “0 Series” foi revelada na CES deste ano, em Las Vegas, e é crucial para os planos da Honda em se tornar um dos maiores nomes em carros elétricos. E mais do que isso: na tentativa de recuperar o tempo perdido frente aos rivais.

Em 2023, a Honda vendeu 19.115 carros elétricos, menos do que as 22.256 unidades comercializadas no ano anterior. A maior parte do volume foi vendido na China.

Recordes no ano fiscal e vendas em alta

Mesmo com o resultado inferior, a Honda bateu um novo recorde em seu resultado líquido. O lucro operacional cresceu 77% e chegou a US$ 8,87 bilhões em 12 meses, enquanto o lucro líquido subiu 70% e atingiu US$ 7,2 bilhões.

A receita total teve alta de 21% e atingiu US$ 131,29 bilhões. Já as vendas globais subiram 11% e chegaram a 4,11 milhões de unidades.

As vendas na Ásia, o principal mercado da Honda no mundo, caíram 5,3% e fecharam em 1,65 milhão de unidades – muito devido à queda da demanda na China. 

Os resultados na América do Norte, segundo maior mercado da empresa no planeta, tiveram alta de 36% e atingiram 1,63 milhão de unidades no ano fiscal.

Os números também foram positivos na Europa: com 103 mil veículos comercializados, houve alta de 23% no volume total.