
Sem informar valores aportados, este ano a planta de Guarulhos concluiu um ciclo de investimento para começar a produzir a terceira geração de turbocompressores Garrett de geometria variável, o que aumentou a capacidade de produção em cerca de um terço, para pouco mais de 300 mil equipamentos/ano (leia aqui). “O primeiro cliente é a General Motors (picape Chevrolet S10), mas estamos em negociação com mais dois”, informa Christian Streck, diretor-geral da divisão de turbos da Honeywell no Brasil.
Mas o melhor ainda está por vir. A estimativa da Honeywell é que na América do Sul o porcentual de veículos equipados com turboalimentadores deverá crescer dos atuais 17% para 24% até 2019. “A maior parte desse crescimento virá com certeza do Brasil”, reforça Olivier Rabilier, vice-presidente da empresa responsável por mercados emergentes, aftermarket e fusões e aquisições. Com a adoção de turbinas por automóveis a gasolina ou flex – hoje o equipamento só é usado no País em veículos com motores diesel –, a projeção é que as fábricas brasileiras vão produzir mais de 1 milhão de unidades por ano com turbos a partir de 2017; e a Honeywell espera abocanhar ao menos 50% desse novo mercado. Streck garante que Guarulhos tem espaço para crescer e atender os pedidos: “Ocupamos apenas a metade do terreno que temos lá.”
As apostas estão todas voltadas para as metas de eficiência energética expressas no Inovar-Auto, que prevê melhoria de, no mínimo, 12% até 2017, quando Streck avalia que estará fornecendo os primeiros turbos para automóveis com motores ciclo otto, como forma de reduzir o tamanho e consumo sem comprometer a potência – e assim atender as metas do Inovar-Auto.
De acordo com Rabilier, todo esse crescimento deverá ser acompanhado pelo desenvolvimento de uma sólida base de fornecedores, que apresentem eficiência e qualidade para produzir componentes de alta precisão exigidos pelos turbocompressores, que trabalham em regime de alta rotação e temperatura. “Existem oportunidades de fornecimento, principalmente para peças fundidas de alta precisão usadas em nossos equipamentos. Nossa preocupação é formar uma cadeia eficaz de fornecedores no local onde produzimos”, explica.
VENDA DA BENDIX
Segundo Hahn, a estratégia da Honeywell é focar atividades em produtos de alta tecnologia com maior valor agregado, por isso foi tomada a decisão de vender no Brasil a unidade de materiais de fricção para freios. A fábrica de pastilhas, sapatas e fluídos das marcas Bendix e Jurid, localizada em Sorocaba (SP), foi adquirida pela Federal-Mogul em julho passado (leia aqui).
“Depois que a Honeywell Transportation Systems unificou suas operações com a divisão aeroespacial da companhia, todos os esforços ficaram concentrados no desenvolvimento conjunto de tecnologia de última geração e aumento de nossa presença global nessa área de atuação. Por isso optamos por vender a unidade Friction Materials aqui no Brasil”, explicou Hahn.
O executivo avalia que a unificação de operações com a divisão aeroespacial da companhia, anunciada em setembro passado (leia aqui), trará “ganhos expressivos no desenvolvimento de tecnologia, pois aumenta a capacidade de pesquisa com número de pessoas, centros e orçamento muito maiores”. Hahn lembra que a Honeywell Aerospace desenvolve componentes de alta tecnologia e precisão para equipamentos militares, como turbinas para helicópteros. “Esse conhecimento deve trazer grandes evoluções para os turbocompressores de veículos também”, resume.
Veja abaixo o estudo da Honeywell sobre o avanço mundial dos turbocompressore:
