
A chapa única que será levada a votação pode não trazer surpresa – a não ser no cargo de presidente.
Até o momento não há sinais claros, na Fiat, do nome a ser indicado. O representante deve pertencer à Fiat Automóveis, afastando a possibilidade de levar à Anfavea um executivo no comando das outras empresas do Grupo Fiat, como Iveco, CNH e sistemistas como a Marelli e FPT – Powertrain Technologies.
A indicação do novo presidente da Anfavea leva também a outra questão – a da sucessão no comando da Fiat Automóveis. Cledorvino Belini já galgou praticamente todos os níveis de comando na organização italiana, passando a fazer parte também do Conselho Executivo do Fiat Group.
Belini conduz as operações da Fiat Automóveis na América Latina e está no topo do ranking dos executivos mais influentes da economia brasileira. Hoje pouca gente compartilha com ele a decisão de sua sucessão à frente da bem-sucedida fabricante de automóveis.
Provavelmente o executivo dedicará algumas horas, neste final de ano, para ponderar sobre os próximos passos de sua carreira. Uma das questões a serem avaliadas é o novo papel chave da Anfavea para definir o futuro da indústria automobilística brasileira, que entra em xeque diante da dificuldade em competir com os asiáticos, apesar do tsunami de investimentos que estão chegando.
Belini promove frequentemente encontros com economistas e especialistas em cenários para reavaliar o planejamento e observar com atenção as nuances de sua bola de cristal. Em um país onde o horizonte de planejamento raramente ultrapassa um ano ou dois, seria ele a pessoa certa para ocupar o comando da Anfavea nesta próxima etapa? Nesse caso, como ficaria a sucessão na própria Fiat?
A decisão não deve demorar.