
“Estamos cientes que temos muita demanda pelo carro e vamos nos esforçar para produzir o máximo possível”, disse Yong Gil Hyun, diretor comercial da Hyundai Motor Brasil. “Não vamos fazer ampliações, mas já fazemos estudos para elevar a capacidade com atuação em alguns gargalos”, admitiu Eugênio Césare, gerente geral de produção da fábrica. Segundo ele, o ritmo atual é de 34 veículos por hora. O potencial hoje é de 150 mil carros por ano com dois turnos de trabalho. Com a adoção do terceiro turno poderia chegar a algo em torno de 220 mil/ano.
Acionar o terceiro turno é uma decisão difícil de tomar, pois se o mercado esfriar vão sobrar empregados. Contudo, pode ser inevitável, já que o volume de trabalho tende a aumentar no horizonte próximo. O HB 20 é só o primeiro carro a ser feito em Piracicaba. Em janeiro de 2013 começa a ser produzido o HB 20X, uma versão “aventureira” do hatch, já mostrada no Salão do Automóvel de São Paulo em outubro passado. Em março chega o modelo sedã.
Por enquanto, 1,8 mil empregados trabalham nas instalações que ocupam 69 mil metros quadrados. No terreno de 1,39 milhão de metros quadrados há espaço de sobra para expansões. Em 2013 o contingente chegará a 2 mil funcionários. Outras 3 mil pessoas estão empregadas nos nove fornecedores estratégicos instalados dentro da área do complexo industrial. São todas empresas coreanas nas quais a Hyundai tem participação societária em diferentes níveis. Além destes, a fábrica de Piracicaba é abastecida por outros 21 fornecedores no País.
A cadeia de suprimentos montada em torno da operação é responsável por 75% das compras produtivas da Hyundai no Brasil, segundo Césare. Apesar de o motor e câmbio do HB 20 ainda serem importados da Coreia, de acordo com o executivo o índice de nacionalização do modelo é alto o suficiente para atender as exigências do novo regime automotivo, o Inovar-Auto, e assim escapar da sobretaxação do IPI. Contudo, Césare não soube informar o conteúdo importado dos conjuntos e sistemas entregues já montados pelos principais fornecedores.
“O investimento da Hyundai reflete as boas condições oferecidas pelo Brasil”, destacou o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, durante a cerimônia de inauguração oficial da fábrica. Pimentel lembrou que o empreedimento teve financiamento do BNDES e reforçou a posição do governo, de atrair a fabricação local de veículos com mais tecnologia, segurança e economia de combustível. “Esta empresa traz esses atributos para a indústria nacional”, disse o ministro.
FÁBRICA MODERNA

Em Piracicaba a Hyundai usa sistema de distribuição de peças automatizado: depois de abastecidos com os componentes (direita), os carrinhos automáticos acompanham o carro (esquerda) na linha de montagem.
A fábrica brasileira da Hyundai é a sétima da montadora fora da Coreia e a primeira de controle próprio na América Latina – a operação de Anápolis (GO), inaugurada em 2007, monta carros da marca sob contrato e pertence ao Grupo Caoa. Em Piracicaba, a Hyundai construiu uma unidade moderna e altamente produtiva, com grande índice de automação e verticalização.
Facilitou o fato de boa parte do maquinário ser fornecido pelo próprio Grupo Hyundai, que também fabrica robôs, prensas de grande porte, equipamentos industriais e muitos dos sistemas de informática. Até mesmo a terraplanagem e as fundações da fábrica foram feitas com máquinas de construção da Hyundai. Some-se a isso os nove fornecedores pertencentes à companhia. Assim, quase tudo que se vê nas linhas é feito ou tem participação do Grupo Hyundai.
Dá para apostar que a fábrica de Piracicaba é atualmente a mais automatizadas do País. Na estamparia, as operações das quatro prensas Hyundai é totalmente robotizada, estampando 17 tipos de peças ao ritmo de 637 por hora. A soldagem das carrocerias é feita bem ao lado, o que facilita o transporte das partes. E lá também 100% das atividades são executadas por robôs, todos Hyundai.
A pintura, também robotizada, ganha tempo com o sistema denominado 3-wet (“três molhados”), em que primer, tinta-base e verniz são aplicados em um único processo. “É um sistema pioneiro no Brasil e o mais moderno que utilizamos no mundo”, conta Césare. As tintas são à base de água e não há emissões de solventes na atmosfera.
A montagem final usa um produtivo sistema de suprimentos, em que 60% de todas as peças são levadas à linha de forma sequenciada por carrinhos automatizados, os AGVs (Automated Guided Vehicles), que rodam na fábrica sozinhos, guiados por trilhas magnéticas no chão. Cada AGV é abastecido com as peças especificadas para um veículo que ele vai seguir na linha. “Isso agiliza o processo e reduz os erros de operação”, diz Césare.
Em ritmo acelerado, tudo parece funcionar bem na Hyundai de Piracicaba, mas em velocidade abaixo do que gostariam os ansiosos futuros clientes do HB 20.