
Um relatório concluído pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em janeiro deste ano, a pedido do Ibama, apontou que as picapes VW, equipadas com motor EA 189 2.0 turbodiesel, continham dispositivo que reduzia em 0,26 g/km, em média, a emissão de poluentes informada durante os ensaios de laboratório.
“Se não fosse a ação do dispositivo, as emissões de óxidos de nitrogênio (NOx) superariam o limite regulamentado. Em média, atingiram 1,101 g/km e, portanto, os veículos teriam sido reprovados nos testes”, aponta trecho da decisão apresentada pelo Ibama.
O órgão também determinou que a empresa realize o recall das picapes Amarok que contêm o dispositivo capaz de reduzir emissões durante testes. Segundo o órgão, a convocação envolve mais de 17 mil veículos. Em resposta, a montadora informou apenas que “foi notificada na quinta-feira (23/3), está analisando a decisão e se manifestará oportunamente”.
Como se sabe, o problema que afeta a Amarok é o mesmo que detonou globalmente o escândalo do dieselgate e levou o Grupo Volkswagen a fazer grandes mudanças em seu comando mundial e resultou, somente nos Estados Unidos, em uma multa de US$ 4,3 bilhões (veja aqui).
A fraude foi desvendada nos Estados Unidos em setembro de 2015 pela agência de proteção ambiental americana. O órgão descobriu que um software instalado em vários motores diesel da VW era capaz de promover a redução momentânea de poluentes quando “percebia” que o veículo era plugado em equipamentos de análise. A fraude afetou motores diesel 1.2, 1.6 e 2.0 de cerca de 11 milhões de veículos de diversas marcas do grupo vendidos globalmente, como Audi, Seat, Skoda e a própria Volkswagen. No Brasil, onde é proibido o uso de motorização diesel em carros, a Amarok foi o único modelo atingido pelo problema.