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Idéias positivas: mestrado sae-unicamp-ita

Em Dezembro de 2004 escrevi a seguinte matéria sobre uma velha idéia minha: “Há poucas semanas atrás, em debate num painel do Congresso SAE 2004 sobre a necessidade de aperfeiçoar nossos engenheiros em matérias que nossas Universidades não incluem em seus currículos, lancei a idéia de que deveríamos criar uma modalidade de Parceria Pública Privada para que as Universidades públicas complementassem os parcos recursos que recebem do Governo com fundos doados pela iniciativa privada.
Poucos dias depois a Universidade Stanford divulgou que em 2004, entre donativos de seus ex-alunos e das empresas, havia angariado a soma recorde de US$ 524 milhões. Note que Stanford é uma universidade privada, e que cobra valores elevados de seus alunos nos cursos que oferece. Imagine o que tal reforço faria no nosso ensino superior.
Lembro bem o fato de que a Escola de Negócios de Stanford, em 1980, convidou o recém aposentado Chairman da Dana para ser o seu Reitor. O convite foi imediatamente aceito, pois Ren McPherson viu nisso a grande oportunidade de levar para o mundo acadêmico a realidade do mundo de negócios. Ledo engano e uma desilusão para o carismático líder do setor de autopeças americano. A Universidade buscava, tão somente, um homem de negócios com um vasto circulo de relações, para angariar fundos que complementassem o orçamento dessa que é uma líder no sistema educacional de nível superior dos Estados Unidos.
Essa prática, tão comum naquele país, precisa ser adotada aqui no Brasil urgentemente, a começar pelas Universidades Públicas, as que mais padecem da falta de recursos que o minguado orçamento do Ministério da Educação lhes concede. Isso nos possibilitaria melhor aparelhar suas salas de aula e os seus laboratórios, remunerar adequadamente seu corpo docente e, como resultado final, criar cursos de Mestrado que atendam as necessidades da nossa indústria.
Isso iria nos permitir competir em melhores condições com as nações emergentes, como China e Índia, que investem pesado na formação de seus engenheiros. Esses países olham a educação como infra-estrutura indispensável para o seu crescimento econômico. E não é para isso que o Governo instituiu o recurso da PPP? Vamos então aplicá-lo em algo tão fundamental como portos e estradas, o nosso ensino superior.”
E porque essa idéia é velha? Por que no fim da década de 80, numa reunião realizada no Hotel Transamérica em São Paulo, com empresários do setor automotivo e com membros da comunidade acadêmica, visando estabelecer aqui o capítulo Brasileiro da SAE Internacional, conheci o Prof. Luciano Coutinho da Unicamp com quem mantive uma longa conversação.
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Redação AB

03 mai 2007

4 minutos de leitura

Foi quando expus, pela primeira vez, essa idéia que nasceu da minha conversa com Ren após sua desilusão com Stanford. A reação do Coutinho foi a esperada, a Universidade não poderia se submeter ao tirocínio dos empresários, pois isso iria prejudicar os programas de pesquisa que ela realizava, apesar dos míseros recursos disponibilizados.
Poucos anos depois, bati na mesma tecla com o atual Reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, naquela ocasião Diretor da Escola de Engenharia, José Carlos Hennemann. Este mostrou-se interessado, mas o envolvimento com a empresa que eu presidia ficou limitado ao patrocínio de pesquisas, do nosso interesse, nos Laboratórios da Escola de Engenharia.
Hoje, passados quase 20 anos da minha conversa com o novel Presidente do BNDES recebo, com muita satisfação, convite da SAE para o evento de lançamento do Programa de Mestrado da SAE-Unicamp-ITA no Hotel Hilton Morumbí no dia 17 de Maio.
E o que isso tem em comum com o que discorri até agora? Apenas o fato de que o currículo desse curso será elaborado de comum acordo entre os empresários do setor automotivo, representados pela SAE, e pelo corpo docente dessas prestigiosas escolas que são a Unicamp e o ITA. E isso, para mim, é um largo passo rumo a uma parceria completa entre Escola e Empresa. A indústria automobilística, para crescer como está planejando, precisa cada vez mais de engenheiros tão bem, ou até melhor, preparados como os indianos e os chineses.
Agora será preciso que os empresários de todo o setor automotivo, inclusive os das autopeças, apóiem essa iniciativa da SAE, lotando esse programa com seus mais promissores talentos. Só me resta lamentar haver levado 20 anos para percorrer a curta distancia entre o Transamérica (a idéia do currículo participativo) e o Hilton (a realização).
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