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IHS Markit prevê queda de 30% nas vendas de veículos no Brasil

Mercado e produção ficarão abaixo de 2 milhões em 2020, segundo projeções da consultoria apresentadas em Live #ABX20
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Redação AB

17 abr 2020

5 minutos de leitura

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As projeções estão sendo revistas a cada 15 dias devido à instabilidade do cenário trazida pela pandemia de coronavírus, mas o que se vê no horizonte são sinais bastante negativos, que apontam até agora para queda na casa dos 30% nos volumes da indústria fabricante de veículos leves no Brasil este ano, em comparação com 2019. Ou seja, a crise fará mercado e produção descerem para níveis abaixo de 2 milhões de unidades pela primeira vez nesta década. É o que indicam as mais recentes previsões da IHS Markit, apresentadas pelo consultor Fernando Trujillo em mais uma Live #ABX20 na sexta-feira, 17.

Durante a transmissão(assista aqui esta e outras Lives #ABX20 já gravadas e veja o calendário das próximas), Trujillo mostrou que a projeção atual da IHS Markit aponta que as vendas de veículos leves no País este ano deverão totalizar 1,86 milhão de unidades, em queda de 30 sobre 2019, ou quase 1 milhão a menos em relação ao ano passado.
Desamparada pelas exportações também em forte retração por causa de situação ainda pior na Argentina, o maior comprador externo de carros brasileiros, a produção de veículos leves no Brasil deve recuar 31% em 2020, prevê a IHS Markit, para 1,84 milhão, ou 1,1 milhão a menos do registrado em 2019.
A queda de mercado e produção abaixo de 2 milhões de unidades deixará graves consequências para a indústria automotiva no Brasil. Trujillo destaca que, embora não exista nada confirmado, é possível que alguns fabricantes com volumes menores possam decidir fechar a operação no País ou reduzir muito o tamanho, pois neste momento não poderão mais contar com a ajuda das matrizes. Ainda assim, não há notícia de cancelamentos de nenhum investimento ou lançamento de produtos, apenas adiamentos, por enquanto.
No caso das empresas de autopeças, o resultado da crise pode ser ainda pior, mas aqueles que conseguirem sobreviver, provavelmente, poderão aumentar suas vendas com o movimento de nacionalização de componentes que as montadoras deverão estimular, em decorrência da falta de peças importadas causada pela pandemia que paralisou muitas fábricas no exterior. Nesse sentido, a IHS Markit trabalha com a hipótese de um novo movimento de consolidação de fornecedores.

“Vemos número expressivo de demissões na indústria, as montadoras estão postergando a retomada da produção para maio e junho, mesmo assim em ritmo lento. Estamos vivendo um período crítico”, avalia Fernando Trujillo.

O consultor aponta que a média de vendas em abril é de apenas 1,8 mil por dia útil, com dias de apenas 700 emplacamentos e picos de 2,5 mil. “Isso porque tivemos uma venda direta da Hyundai de 3,7 mil veículos para uma locadora, por isso o resultado do mês deve ficar em torno de 34 mil, o que é até um pouco mais alto do que os 26 mil que prevíamos. Ainda assim é um volume muito baixo e em maio o cenário tende a piorar com a extensão das medidas de isolamento social (para conter a curva de contágio da Covid-19), prevemos cerca de 20 mil (emplacamentos) apenas”, projeta Trujillo.

RECUPERAÇÃO LENTA NO BRASIL, COM VOLTA DO CRESCIMENTO EM 2021

No cenário traçado pela IHS, a recuperação das vendas no mercado brasileiro será gradual e só começa depois que as fábricas voltarem a operar de forma regular, no segundo semestre. “Nossa expectativa é que o as vendas só sejam regularizadas em 200 mil unidades por mês a partir de setembro”, diz.
Com queda no PIB estimada pela IHS Markit em 4,5% em 2020 e taxa de desemprego que deve subir dos atuais 12% a 16%, o Brasil deve demorar mais para se recuperar da crise, mas a consultoria prevê que as vendas de veículos voltem a subir de forma expressiva em 2021, quando estima que os emplacamentos vão crescer 23% e chegar a 2,3 milhões de unidades, e a produção avança para quase 2,5 milhões de veículos leves, em expansão de 28% sobre 2020.
Contudo, ainda vai demorar muito para o País voltar a ter mercado próximo de 4 milhões de veículos por ano, como aconteceu em 2012. “A volta do crescimento do PIB em torno de 3,5%, juros (Selic) abaixo de 3,5% ao ano e medidas de estímulo ao crédito, com o pacote de liquidez de R$ 1,2 trilhão do Banco Central, devem estimular as vendas, mas só enxergamos mercado de 4 milhões para depois de 2032, isso se nada acontecer. Vemos que as vendas só devem chegar a 3 milhões em 2024, antes prevíamos esse volume para 2022, quer dizer que perdemos dois anos [de evolução] com esta crise”, avalia Trujillo.

ARGENTINA EM SITUAÇÃO PIOR

Se a situação é difícil no Brasil, no vizinho e principal parceiro comercial no setor automotivo o cenário é muito pior. A Argentina já enfrentava profunda crise econômica antes da pandemia e agora deverá adicionar a isso contração de 6% do PIB em 2020, colecionando quedas severas de vendas em cima das outras retrações acentuadas dos últimos dois anos.
A projeção da IHS Markit é que o mercado argentino de veículos leves sofra uma nova e importante retração de 41% este ano, com apenas 260 mil unidades comercializadas. Com a parada do mercado brasileiro, principal comprador de carros argentinos, a produção cai ainda mais, 19%, para total de 265 mil carros fabricados em 2020. “É muito pouco para um mercado que já comprou 860 mil veículos há pouco tempo”, lembra Trujillo.
A retomada na Argentina também deve começar em 2021, com alta de 15% nas vendas de automóveis e utilitários leves (300 mil unidades no total) e produção um pouco melhor, de 371 mil veículos, em crescimento de 40%, graças à retomada do mercado brasileiro. “Mesmo assim, os volumes seguem muito baixos”, destaca o consultor da IHS Markit.
Na conversa com Automotive Business, Trujillo também falou da tendência de crescimento do segmento de SUVs, provável aumento médio de preços dos carros em torno de 5% este ano (pressionado pela alta do dólar acima de R$ 5), além de projeções da IHS Markit para os mercados mais importantes. Assista à Live #ABX completa abaixo: