logo

Argentina

Importação de veículos: Argentina sente o golpe

<style type=”text/css”>
.texto {
font-family: Verdana, Geneva, sans-serif;
font-size: 10px;
color: #666;
}
.texto {
text-align: left;
}
</style>
Author image

Redação AB

13 mai 2011

5 minutos de leitura

NOTÍCIAS AUTOMOTIVAS EM QUALQUER LUGAR
Email RSS Twitter WebTV Revista Mobile Rede
Social

Redação AB

O governo brasileiro está pagando a Argentina “com a mesma moeda”. Assim o jornal argentino La Nación define as medidas anunciadas na quinta-feira, 12, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), que instituiu a exigência de licenciamento prévio, não-automático, para importações de veículos de qualquer origem.

Embora a medida atinja negócios com veículos importados de todos os países, a reportagem assinada pelo correspondente no Rio de Janeiro, Alberto Armendaríz, afirma que a medida teve como endereço certo as exportações argentinas, em represália à adoção de barreiras não-tarifárias que o país vem adotando contra produtos de toda espécie vindos do Brasil.

O jornal destaca que somente de janeiro até este mês o governo argentino aumentou de 408 para 577 o número de produtos brasileiros que precisam de licenciamento prévio para entrar no país vizinho. Assim, segundo a publicação, o Brasil respondeu com restrições ao setor automotivo porque é onde os argentinos vão sentir mais o golpe, pois são os maiores prejudicados com a medida. As vendas de veículos da Argentina para os brasileiros representam cerca de 60% da produção local e 39% de todo o comércio bilateral entre os dois países.

Balança favorável à Argentina

O volume de veículos novos que atravessa a fronteira Brasil/Argentina é muito parecido de ambos os lados: no primeiro trimestre os argentinos mandaram para cá 83 mil unidades, e as fábricas brasileiras embarcaram 81 mil para lá. Mas em valor a balança é mais favorável à Argentina, porque os modelos que vêm do país vizinho são mais caros do que os que vão daqui para lá.

Em 2010, a Argentina vendeu ao Brasil o equivalente a US$ 5,4 bilhões em veículos prontos, enquanto as fábricas brasileiras exportaram para lá quase US$ 4 bilhões. Nos primeiros três meses deste ano o “placar” está em US$ 1,4 bilhão para os argentinos contra US$ 1,1 bilhão para os brasileiros.

O MDIC mirou no que é hoje provavelmente o único setor exportador bem-sucedido da Argentina, que na balança comercial bilateral já acumula déficit com o Brasil de US$ 1 bilhão só no primeiro trimestre de 2011. Assim, desde o início do ano o governo argentino começou a impor dificuldades de forma crescente às exportações brasileiras, causando irritação também crescente dentro do governo brasileiro.

Um tom acima

O ministro Fernando Pimentel (MDIC) disse no fim da semana passada que havia enviado carta à sua correspondente argentina, a ministra Débora Giorgi, para cobrar soluções sobre produtos brasileiros barrados nas alfândegas argentinas. Sem obter resposta, aparentemente, passou às represálias, ainda que Pimentel negue que tenha sido esta a motivação das medidas que dificultam as importações de carros no Brasil.

Por causa das medidas, no início da sexta-feira, 13, o La Nación informou que já haviam 2,7 mil carros produzidos na Argentina pela General Motors, Mercedes-Benz e Toyota parados na fronteira brasileira por falta de licenciamento prévio. Eles teriam sido embarcados antes do anúncio da restrição.

Em carta enviada a Pimentel, a ministra Débora Giorgi reclama que não recebeu tratamento igualitário, pois não houve comunicação antecipada. “Quando a Argentina aplicou, em fevereiro passado, 200 posições novas de licenças não-automáticas, o governo informou seu par brasileiro 10 dias antes do anúncio e a medida só entrou em vigor 30 dias depois”, disse a ministra argentina na carta, subindo de tom, dizendo que o Brasil “está atuando de forma intempestiva e sem aviso, afetando 50% de todo o comércio bilateral”.

Débora Giorgi concluiu sua mensagem ao ministro brasileiro com dura crítica: “Este tipo de comportamento atenta contra o diálogo natural dos dois sócios majoritários do Mercosul e afeta o compromisso que assumiram as duas presidentas de equilibrar a balança comercial bilateral para garantir uma industrialização harmônica”.

A resposta, por si só, mostra que a Argentina já sentiu o golpe. Em uma atitude do tipo faça-o-que-eu-digo-e-não-o-que-eu-faço, ao mesmo tempo em que subiu o tom de forma pública, segundo o La Nación, a ministra já teria escalado um negociador para viajar ao Brasil na próxima semana, e pediu ao governo brasileiro que mantivesse as discussões fora da imprensa.