Auro Levorin, vice-presidente do Simefre, adverte que diversos componentes já deixaram de ser fabricados no Brasil em decorrência do aumento da presença asiática. “A produção local de freios, por exemplo, pode acabar por causa disso”, assegura.
O executivo esclarece que a intenção não é barrar importações, mas promover uma concorrência justa. As peças asiáticas chegariam ao mercado nacional com carga tributária até 40% menor. O setor pleiteia apoio do governo para ganhar agilidade na defesa comercial e evitar prática de dumping. Com isso as exportações, que hoje representam cerca de 10% da produção, também seriam estimuladas.
Outra ação é implantar um programa do Inmetro para impedir que produtos de má qualidade tenham acesso ao mercado nacional. “Estimamos que entre 30% e 40% das peças importadas não têm qualidade para atender o mercado”, afirma Levorim, alertando para o risco dos consumidores em comprar estes equipamentos e não ter garantia ou assistência técnica.
Trens e metrôs
O segmento ferroviário também enfrenta dificuldades. Massimo Giavina-Bianchi, diretor do Simefre, alerta que as últimas licitações para trens e metrôs foram ganhas por companhias asiáticas. Além do impacto na indústria, a ação pode prejudicar as operações futuras, já que as companhias não têm interesse em se estabelecer no país e o processo de assistência técnica será prejudicado.
O setor não sofreu um impacto tão forte com a crise financeira por trabalhar com projetos de médio e longo prazo. “Temos entre R$ 520 milhões e R$ 600 milhões em investimentos garantidos em trens de passageiros para os próximos cinco anos. Depois disso nosso setor pode morrer por falta de novos contratos. Não conseguimos ganhar concorrências com os preços e condições dos asiáticos”, alerta o executivo.
Para o diretor, o governo federal deve agir com rapidez já que o projeto para os metrôs de Salvador e Recife foram fechados com companhias chinesas. No Rio de Janeiro os trens serão construídos em uma empresa coreana.