
|
|||||||||||||||||||||||||||
Giovanna Riato, AB
A Abeiva, associação que reúne os importadores de veículos sem fábrica no Brasil, espera frear em 2012 o aquecido ritmo de expansão registrado no mercado nacional nos últimos anos. Com o adicional de 30 pontos no IPI para carros importados de fora do Mercosul e do México, a entidade prevê um esfriamento de 20% nas vendas, para cerca de 160 mil unidades. “É complicado projetar mas sabemos que este será um ano difícil”, afirma José Luiz Gandini, presidente da entidade e da Kia Motors para o Brasil.
O tombo acontece após os importadores crescerem 87,4% em 2011, para 199,3 mil unidades. Com isso, as empresas filiadas à associação responderam por 23,3% dos veículos importados vendidos no mercado nacional em 2011. Os outros 76,6%, ou 654,3 mil unidades, foram trazidos pelas montadoras com fábricas instaladas no Brasil. Considerando o mercado total do ano passado, de 3,63 milhões de veículos, os emplacamentos dos asssociados à Abeiva responderam por apenas 5,8%.
Importadores em queda
Gandini afirma que a entidade propôs ao governo a imposição de cotas de importação. A ideia é determinar uma quantidade de veículos que possa ser trazida do exterior sem o adicional do IPI. Dessa forma, as empresas só pagariam a alíquota majorada das unidades que excedessem o volume. No entanto, o executivo não teve resposta do MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. “Não conseguimos agendar um encontro formal para discutir o assunto”, lamenta.
O dirigente da entidade afirma que, desde setembro, Fernando Pimentel não atende mais aos importadores. Segundo ele, para conseguir espaço na agenda do ministro é necessário ter um projeto de fábrica local. “JAC, BMW e Land Rover estão conversando com ele sobre um alívio na cobrança do adicional do IPI até que eles atinjam 65% de conteúdo local. Não há nenhuma intenção do governo em negociar com os importados para buscar uma solução”, afirma.
Sem perspectiva de um abrandamento das novas regras para os importadores, a Abeiva projeta redução do lucro ao longo do ano. “Ninguém espera ganhar dinheiro em 2012. Todos estão cortando custos, negociando margens menores com os concessionários e pedindo desconto às fábricas no exterior”, explica.
Assista à entrevista exclusiva com José Luiz Gandini, presidente da Abeiva e da Kia Motors:
