
Contudo, considerando somente modelos nacionais, o recuo é bem menor, de 0,9%, com 252,9 mil unidades vendidas. Já os mirrados 29,9 mil estrangeiros emplacados entre janeiro e fevereiro representam baixa expressiva de 36,1%, puxando a média geral para baixo. Não fosse por isso, os números indicariam um mercado praticamente estável em relação ao ano passado.
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Assim 2017 começou com o nível mais baixo em 10 anos de participação de veículos importados nas vendas totais do País, que no primeiro bimestre foi de apenas 10,6%. “As importações já vêm em processo de queda nos últimos anos [desde a sobretaxação imposta a partir de 2012], mas agora muitas empresas que só importavam passaram a produzir no Brasil e o consumidor compra modelos que antes só vinham de fora”, destaca Antonio Megale, presidente da Anfavea, para explicar parte da queda mais acelerada dos emplacamentos de modelos estrangeiros. “Isso é um reflexo do Inovar-Auto, que teve como objetivo fazer com que o Brasil não fosse apenas um grande mercado, mas também um grande produtor de veículos. Isso atraiu investimentos de muitas empresas em fabricação local que o programa incentivou a fazer aqui”, acrescenta.
Com as restrições e os incentivos do Inovar-Auto, nos últimos dois anos Chery, BMW, Audi, Mercedes-Benz e Jaguar Land Rover inauguraram fábricas no Brasil e lançaram carros montados no País – com grande volume de componentes importados mas classificados como nacionais – que hoje representam a maior parte das vendas dessas marcas. Outras montadoras também nacionalizaram a montagem de alguns modelos. Contudo, embora essa nacionalização tenha efeito estatístico na redução de importações, o dólar mais caro inviabilizou a venda de muitos modelos estrangeiros e todos os importadores, com ou sem fábricas no País, reduziram seus pedidos. “Deve haver uma estabilização para baixo nas vendas de importados”, avalia Megale.
MÊS DECEPCIONANTE
Sem a ajuda dos importados, o fato é que fevereiro foi outro mês de queda nas vendas, com 135,6 mil veículos novos licenciados, em declínio de 7,8% sobre janeiro e de 7,6% sobre o mesmo mês de 2016. “Os números não foram bons, mais uma vez tivemos um mês decepcionante, abaixo do que esperávamos”, reconhece Megale.
O dirigente credita o mau resultado ao pequeno número de dias úteis de fevereiro, apenas 18. “Houve crescimento de 12% na média diária de vendas, mas como o mês foi curto o número final de emplacamentos foi bastante baixo”, resume. “O carnaval nos últimos dias do mês freou os negócios. Tivemos ainda o problema de segurança com a paralisação por mais de 10 dias da polícia militar no Espírito Santo, que afetou também o Rio de Janeiro. São todos fatores que contribuíram para piorar o ambiente.”
Megale também citou o baixo nível de crédito para compra de veículos: “As concessões tinham melhorado em janeiro, mas voltaram a piorar em fevereiro. No mês apenas 51,3% das vendas foram financiadas, é um nível muito fraco”, destacou.
A expectativa é de maior evolução do mercado neste mês. “Isso deve ocorrer porque janeiro e fevereiro são meses historicamente fracos em vendas. Março deve ser melhor até pelo maior número de dias úteis, mas não esperamos nenhuma recuperação expressiva. Melhora mesmo só deve acontecer a partir do próximo trimestre”, estima.
Assista abaixo reportagem da ABTV sobre os resultados do setor no primeiro bimestre: