
A situação contrasta com a do mercado interno, que registrou alta de 5,5%. Foram emplacadas 2.667.347 unidades este ano até setembro, ante 2.527.469 nos três primeiros trimestres de 2011. O presidente da Abeiva, Flavio Padovan, chama a atenção para a perda de participação dos importados: “Ao comparar os totais do acumulado de 2012 e 2011, nosso market share caiu de 6,01% para 3,85%.”
INOVAR AUTO DESAGRADA PARTE DAS ASSOCIADAS
A possibilidade de habilitação no programa Inovar Auto, regulamentado pelo Decreto 7.819, publicado em 3 de outubro no Diário Oficial da União, atendeu apenas parcialmente às expectativas da Abeiva, que representa 29 marcas sem fábrica no País.
“Temos de reconhecer que o programa é um avanço para o País, que nunca teve uma regulamentação desse porte antes. Ao exigir contrapartidas de investimentos em pesquisa, desenvolvimento, engenharia e capacitação de fornecedores, o decreto sem dúvida significa uma importante definição de política industrial ao polo automotivo brasileiro”, avalia o presidente a associação.
“No entanto, a diversidade de empresas dentro da Abeiva mostra que ainda não são todas as empresas que veem vantagens com o Inovar Auto para suas operações futuras. Para algumas, o teto máximo de 4,8 mil unidades por ano é visto como uma ação paliativa e as demais exigências, um obstáculo de crescimento.”
A Abeiva pedia ao Governo Federal desde a publicação do decreto da alta do IPI, em 16 de setembro de 2011, que se estabelecessem cotas de importação proporcionais aos emplacamentos dos últimos anos. Padovan afirma que de 2013 a 2017 os importadores de veículos estarão em desvantagem ante aqueles que trazem automóveis do Mercosul e do México.
“Ressalto ainda que já perdemos 2012, que foi um desastre para o setor, que tinha uma rede de 882 concessionárias e contava com 35 mil trabalhadores. Hoje tem 737 revendas e emprega 25 mil trabalhadores brasileiros”, lamenta Padovan sobre o fechamento de cerca de 10 mil postos de trabalho. Para ele, a situação tende a agravar-se.
“Desde a semana passada, cada associada à entidade está avaliando como irá se adequar a essa nova situação e como se habilitar ao programa Inovar Auto. Assim como cada filiada vai estudar a possibilidade de investimento em fábrica no País. Mas, por questão de escala industrial, a maioria das empresas deve se manter na atividade de importação”, diz o presidente da Abeiva.