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Inadimplência dá saltos

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pedro

18 jul 2011

4 minutos de leitura

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Pedro Kutney, AB

A alta da inflação começa a mostrar um sintoma preocupante: queda da renda e consequente aumento da inadimplência. O avanço médio do Índice de Preços ao Consumidor Ampliado, IPCA, foi de quase 6% em 2010 e já chega perto de 4% no primeiro semestre de 2011. Com o aumento dos preços de artigos de primeira necessidade, falta dinheiro para pagar as dívidas de longo prazo, especialmente no caso da população de renda menor, que nos últimos anos saiu às compras à base de crédito e agora tem dificuldade para quitar compromissos assumidos. Os financiamentos de automóveis, que impulsionaram as vendas nos últimos anos, estão entre os mais afetados pelos efeitos deletérios da inflação.

Segundo dados do Banco Central, a inadimplência (falta de pagamento superior a 90 dias) das operações de financiamento para compra de automóveis está crescendo mês a mês este ano: bateu em 3,6% em maio passado, o maior nível em um ano, com avanço de 1,1 ponto porcentual sobre os 2,5% registrados em dezembro.

Embora o índice do segmento seja o menor de todas as modalidades de crédito para pessoa física, e quase metade da média geral de 6,4%, a tendência de alta da taxa começa a preocupar as financeiras, que já imprimem maior rigor para a aprovação de novos financiamentos, de acordo com informações de concessionários.

Atrasos aumentam

Um dado que confirma o viés de alta da inadimplência são os atrasos de 15 a 90 dias, também computados pelo BC, que atingiram 7,8% em maio, o índice mais alto desde 2009, com expansão de 1,5 ponto porcentual sobre os 6,3% de dezembro de 2010. Esses atrasos não são considerados formalmente pelo BC como falta de capacidade de pagamento dos tomadores, mas indicam a tendência futura, pois podem acabar se transformando em inadimplência superior a 90 dias.

Pesquisa recente, realizada pela agência de varejo automotivo MSantos nos dias 5 e 6 de julho com escritórios de cobrança que trabalham para os bancos a partir de atrasos de 15 dias, comprova que a situação está se agravando. Em junho, na comparação com maio, houve aumento médio de 10 % nos volumes de cobrança recebidos das financeiras. Os três maiores escritórios avaliaram que houve maior crescimento dos atrasos superiores a 60 dias, de 15% em média sobre o mês anterior. Esse comportamento, segundo a MSantos, mostra que os clientes não estão conseguindo pagar mais de duas parcelas vencidas, o que força a inadimplência para cima.

Em maio, segundo levantamento da MSantos, houve aumento de 24% nos atrasos de 15 a 60 dias e de 15% entre 60 e 90 dias.

Sem preocupações, por enquanto

Nesta segunda-feira a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) divulgou que o número de inadimplentes em seu registro aumentou 21,9% na primeira quinzena deste mês, ante o mesmo período de julho de 2010, enquanto o índice dos que conseguiram renegociar a dívida cresceu 17% na mesma base de comparação. Portanto, os devedores que deixaram a lista são em número menor do que os inadimplentes que entraram nela.

O avanço, contudo, ainda não gera maiores preocupações. “A inadimplência está controlada”, afirma o economista da ACSP Emilio Alfieri, segundo publicou a Agência Estado. De acordo com ele, a situação não é preocupante porque o desemprego, o principal fator que determina o ritmo da inadimplência, está em baixa. “O consumidor pode estar em dificuldade para pagar a dívida, mas como está empregado os débitos podem ser renegociados”, explicou.

“Os dados estão bons. Os números de 2011 estão abaixo dos vistos em 2009, quando muita gente perdeu o emprego por conta da crise financeira. Continuaremos em 2011 no mesmo ritmo controlado, mas é preciso atenção principalmente por conta do cenário internacional”, ponderou Alfieri.