Calife aponta que a elevação dos calotes é reflexo do aumento das concessões entre 2009 e 2010, quando o setor contava ainda com redução do IPI para incentivar as vendas. Segundo ele, cerca de 90% das novas fichas eram aprovadas pelas financeiras na época. As condições, com prazos superiores a 60 meses sem entrada, permitiram que novos consumidores pudessem comprar carros. Essa parcela da população, no entanto, ainda pouco acostumada a tomar empréstimos, não conseguiu honrar as dívidas.
O economista lembra que, após esse período, os bancos reajustaram os parâmetros para conceder crédito. “Assim que essa safra de financiamentos se dissipar haverá uma melhora”, determina. Ele lembra ainda que, apesar do rápido crescimento, a inadimplência no setor de veículos permanece abaixo da média de todos os bens, que alcançou 8% quando considerados os atrasos superiores a 90 dias.
Dados da Boa Vista Serviços indicam que historicamente os novos consumidores oferecem mais risco às financeiras. Na última medição, em setembro de 2011, enquanto 4,4% dos clientes que já tinham histórico de tomada de empréstimo atrasaram pagamentos, 5% dos novos clientes deram calotes.
Para Calife, a saída para reverter a curva de expansão da inadimplência é o aumento do rigor das instituições financeiras para aprovar o crédito, algo que já está ocorrendo. Na visão dele, a solução seria completa com o aumento da educação financeira da população. “Grande parte dos consumidores que já tiveram cadastro no SCPC voltam à base de inadimplentes em seguida. Notamos dificuldade no planejamento do orçamento”, explica.
