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Inclusão de pessoas LGBT+ está longe da prioridade das empresas automotivas

Só 1% das companhias do setor têm metas para ampliar a participação destes colaboradores na liderança
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Redação AB

05 dez 2019

3 minutos de leitura

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Segurança psicológica. Segundo o Projeto Aristóteles, pesquisa feita por dois anos pelo Google com as próprias equipes, este é o principal fator para garantir alta performance nos times. A liberdade de expressar opiniões, contribuir com ideias e ser, no ambiente de trabalho, a mesma pessoa do que fora dele deveria ser um direito essencial em qualquer organização, mas nem sempre funciona assim para pessoas LGBT+.


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De acordo com a pesquisa Diversidade no Setor Automotivo, realizado por Automotive Business, em parceria com MHD Consultoria, o eixo LGBT+ é o que menos sensibiliza as empresas automotivas. Muitas vezes, estes indivíduos não encontram um entorno de respeito e acolhimento para assumir a própria identidade de gênero e orientação sexual. E, nesta indústria, há pouco esforço para mudar este cenário: o tema LGBT+ é o que menos recebe atenção das companhias do segmento, contando com poucas ações para os colaboradores e um número baixo de empresas comprometidas com metas de inclusão deste grupo.

A pesquisa foi respondida por 89 empresas de pequeno a grande porte, de diversos ramos de atividade como indústria de autopeças, montadoras, distribuição, insumos e serviços. Foram pesquisados cinco eixos da diversidade: Gênero, Etnia, LGBT+, Pessoas com Deficiência e Gerações.

EMPRESAS AINDA NÃO ATUAM ATIVAMENTE PARA INCLUIR PESSOAS LGBT+

Segundo o estudo, 64% das organizações do segmento não têm ações relacionadas à inclusão de pessoas LGBT+. Apenas 21% contam com iniciativas pontuais e 14% possuem programas estruturados para os colaboradores com foco na promoção da diversidade e da inclusão de pessoas desta comunidade.

Para não ferir a privacidade dos colaboradores, a maior parte das empresas não tem um levantamento de identidade de gênero e orientação sexual e, portanto, entre os eixos da diversidade, este é o mais difícil de medir em números absolutos.

A garantia de direitos iguais a casais LGBT+ em relação à licença parental e benefícios de apoio à primeira infância é a ação mais presente. Ainda assim, apenas 24% das empresas do ramo oferecem o benefício aos colaboradores, o que afeta de forma expressiva famílias e pessoas LGBT+ que planejam ter filhos.

“O setor automotivo é um dos mais difíceis de entrar [para pessoas trans e LGBT+, apenas atrás da área de Marketing e Publicidade”, afirmou Maitê Schneider, cofundadora da Transempregos, plataforma de vagas online para pessoas trans, durante o II Fórum AB Diversidade no Setor Automotivo.

SÓ 1% TÊM METAS PARA INCLUIR PESSOAS LGBT+ NA LIDERANÇA

De acordo com o levantamento, 65% das companhias não contam com diretrizes ou metas para a inclusão de colaboradores deste grupo e 25% têm apenas diretrizes, sem nenhum tipo de meta ou objetivo palpável. As metas estão presentes apenas em 6% das empresas abrangendo a inclusão no quadro funcional, enquanto só 1% tem metas para a inclusão de LGBT+ na liderança.

A baixa presença desses colaboradores ou falta de liberdade para que eles se assumam no setor automotivo ainda é uma realidade e pode ser transformada a partir de políticas afirmativas. O sucesso destas iniciativas, no entanto, só acontece quando a empresa está madura para isso. “Às vezes as organizações têm pressa para atingir metas, mas com a diversidade não é assim. Tentar implementá-la em uma empresa que não tem uma cultura inclusiva é matar a diversidade. As pessoas vão pedir para sair”, ressalta Maitê.