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Indústria automotiva enfrenta resistência para atrair diversidade em identidade de gênero

Ao incluir diferentes perfis, empresas atendem às demandas da sociedade e se tornam mais competitivas, diz especialista
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Redação AB

25 jul 2019

3 minutos de leitura

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Se a sua empresa vende para todo mundo, por que não contrata todo mundo? É a pergunta que muitas companhias ainda não conseguem responder quando o assunto é diversidade. Dentro da indústria automotiva, o tema avança a passos lentos, mas não sai do lugar quando se trata da representatividade de pessoas transexuais dentro do setor. O assunto foi discutido no encontro de julho da Rede AB Diversidade. Para mudar essa realidade, multinacionais recrutam talentos trans por meio de plataforma especializada, a Transempregos.
O Brasil ocupa a primeira posição no ranking mundial de assassinatos de transexuais, segundo o ONG Transgender Europe. Essa população vive em situação de vulnerabilidade social, enfrentando violência, marginalização e até abandono da família, o que faz com que 90% das pessoas recorram à prostituição como única opção de vida, de acordo com a Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais).
Grandes empresas que movimentam a economia do país em diversos setores têm contribuído para mudar essa realidade alarmante. Por meio de plataformas como a Transempregos, buscam colaboradores transexuais para compor os times, investindo em mais diversidade e dando a oportunidade para transformar a realidade dessas pessoas.
O sucesso da valorização dos profissionais trans pode ser notado pelo aumento expressivo de empresas parceiras da Transempregos. Em seis anos de atuação, a plataforma expandiu a oferta de força de trabalho de 12 para 140 empresas. Dentre as empresas que abraçaram a causa estão: Microsoft, Votorantim, IBM, Bloomberg, Google e Basf.
Atualmente, a plataforma conta com mais de 2 mil currículos disponíveis no banco de talentos. “Falta oportunidade para essas pessoas. Grande parte da população ainda sofre com a marginalização e o preconceito, mas muitas pessoas trans têm boa formação acadêmica. Dos currículos que temos, 40% tem ensino superior.”, afirma a doutora em direito, sócia e coordenadora da Transempregos, Márcia Rocha.

POR QUE ISSO INTERESSA AO SETOR AUTOMOTIVO

Além das questões sociais que envolvem a população trans, a valorização desses profissionais, e de outras pessoas da comunidade LGBT+, precisa fazer parte da agenda das empresas automotivas como forma de avançar e fortalecer a inovação e o potencial do setor de responder às demandas do mercado, de acordo com o Coordenador Estadual de Políticas Públicas para a Diversidade Sexual da Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo, Marcelo Gallego.
“Faz sentido debater essas questões hoje porque o mercado está cada vez mais competitivo, não dá para perder competitividade ou ter uma equipe desmotivada por causa de preconceitos e comportamentos heteronormativos”, defende.

Segundo ele, as organizações precisam garantir ambientes de acolhimento e segurança psicológica onde as pessoas possam assumir quem são e “sair do armário” sem precisar enfrentar resistências desnecessárias. Ele afirma que, ao oferecer este espaço, as organizações se tornam infinitamente mais produtivas.

COMO DEVO TE CHAMAR?

Desde 2016, as pessoas transexuais têm direito ao nome social, que se refere à identidade de gênero pela qual aquela pessoa se identifica socialmente. Gallego lembra que esta mudança é garantida por lei e deve ser respeitada no ambiente corporativo. O não-cumprimento pode acarretar penalizações que vão desde advertência até multa para a empresa. Além de evitar problemas jurídicos, ao se adequar a esta regra as empresas criam um ambiente mais respeitoso e inclusivo.