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Indústria automotiva vive momento mais inovador desde Henry Ford

A indústria automotiva passa pelo momento de maior inovação desde Henry Ford, o criador da linha de montagem para a produção de automóveis em série. Essa é a opinião do escritor americano Steven Johnson, autor do livro “De onde vêm as boas ideias”, da Editora Zahar, que participou do ThinkAuto, evento promovido pelo Google Brasil.
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Giovanna Riato

10 set 2014

3 minutos de leitura

A impressão dele é embasada no cenário de grande evolução tecnológica do carro, na transformação da indústria – que se empenha para ter menor impacto ambiental e ser financeiramente sustentável -, e no momento de transformação também do consumidor, que renovou sua relação com o automóvel.

O especialista recomenda que as empresas abracem a mudança e entendam a situação como oportunidade. Segundo ele, é essencial estimular a cooperação entre várias áreas e perfis profissionais para que a inovação se desenvolva. “A história de que as novas ideias surgem como uma inspiração repentina não é real. O processo é muito mais evolutivo”, avalia. Johnson dá o exemplo do iluminismo, no século 18, que teve os cafés europeus como motores para a inovação, já que os pensadores se encontravam ali para debater suas ideias.

O escritor admite que o processo para buscar novas soluções e produtos é desafiador e exige que riscos sejam assumidos. Ainda assim ele defende a importância de ousar. “Pense em algo que há cinco anos você não conseguia enxergar na sua empresa e hoje é comum. Tente entender o motivo de não ter identificado essa oportunidade”, alerta.

CONCESSIONÁRIAS: MODELO ESGOTADO

Dentro da filosofia de Johnson, existe uma série de oportunidades na cadeia produtiva e na distribuição de veículos. Davide Ceper, sócio principal da McKinsey no escritório do Rio de Janeiro, também participou do evento do Google e decretou: “O modelo atual de concessionária está desgastado.” Segundo ele, é perceptível a redução gradual do retorno sobre vendas das empresas.

Pesquisa realizada pela consultoria indica que, de cada quatro clientes que visitam um ponto de venda, um não fica satisfeito com o atendimento. O aspecto mais interessante é que 80% dos consumidores fazem test drive, o que indica que esta experiência continua sendo importante no processo de compra mesmo que as pessoas estejam dispostas a fechar negócio pela internet, sem visitar uma loja.

“Este modelo de concessionária vai deixar de existir. Por que não levar o consumidor a uma pista de testes ao invés de manter a casa em um centro urbano e obriga-lo a pegar trânsito para chegar lá?” Ceper avalia que esta dinâmica precisa de inovação. “Não é simplesmente o formato da revenda, mas a experiência que você entrega ao cliente. Melhorar o test drive, oferecer simuladores de condução e imagem 3D do carro para que ele seja configurado são ideias interessantes.” Ele cita o exemplo da Apple, que garante a melhor experiência possível de consumo em sua flagship, apesar de ter uma série de outros canais de vendas. O consultor enfatiza que a experiência na loja é capaz de transformar a imagem de uma marca.