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Indústria busca leveza e eficiência em todos os sistemas dos carros

TECNOLOGIA 2*
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Redação AB

15 mai 2012

5 minutos de leitura

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Enquanto direcionam batalhões de engenheiros para o aprimoramento de motores a combustão e de outros componentes (principalmente mecânicos e eletrônicos) dos veículos, os grandes fabricantes globais investem em outras frentes para obter maior eficiência e economia de combustível. Isso porque quanto mais se reduz o consumo também se diminui a emissão de poluentes.

Atualmente, segundo o engenheiro Francisco Satkunas, conselheiro da SAE Brasil (Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade), as fábricas na Europa e na Ásia estão adotando novos sistemas como start-stop, dispositivo de dupla embreagem, transmissões com maior número de marchas, controle de estabilidade, além de diferenciais mais leves e freios que regeneram energia para reabastecer a bateria – esta uma tecnologia originária da Fórmula 1. Pneus de baixa resistência de rolagem em relação ao piso, sistema de direção com assistência elétrica e rodas de alumínio, itens que já são encontrados em modelos de luxo, deverão se tornar comuns nos veículos em geral, e também no Brasil.

A tendência para os próximos anos, segundo Satkunas, são as pesquisas se concentrarem, em termos globais, em tecnologias visando à redução de peso dos veículos – por meio do emprego de materiais e compostos mais leves, como alumínio, fibra de carbono ou polímeros – e a melhoria da eficiência aerodinâmica de itens agregados à carroceria (como já fazem a Volkswagen, com o sistema Blue Motion, e a Mercedes-Benz, com a Blue Efficiency, entre outras).

“Cerca de 57% do peso de um carro é representado em sua grande parte pelo aço e 60% da potência útil do motor são perdidos para vencer a resistência do ar. São pequenos ganhos que, somados, podem resultar em boa margem de economia de combustível”, explica Satkunas.

MENOS PESO, MENOS RESISTÊNCIA, MAIS EFICIÊNCIA

Seguindo nessa linha, a Ford anunciou recentemente uma parceria com a Dow Automotive Systems, divisão da Dow Chemical, para pesquisar a aplicação de compostos avançados de fibra de carbono em carros de alto volume de produção. O acordo, segundo a Ford, faz parte da meta da montadora de reduzir o peso de seus veículos em cerca de 340 quilos até o fim desta década, visando incrementar a economia de combustível. Por ser leve e resistente, a fibra de carbono é utilizada há muitos anos na indústria aeroespacial.

“A redução de peso vai aumentar a eficiência de todos os modelos Ford”, afirma Paulo Mascarenas, vice-presidente e chefe técnico de pesquisa e inovação da Ford. Com a introdução desse componente em linha, a montadora espera ampliar a autonomia de seus veículos em até 21 km/litro no fim desta década.

Nesse sentido já é possível notar alguns avanços notáveis. A Honda japonesa, só para citar um exemplo, divulgou recentemente que está desenvolvendo em parceria com a ZF alemã uma caixa de transmissão automática de nove marchas, com produção marcada para 2014, que poderá ser usada em veículos com tração dianteira ou integral. A caixa utiliza engrenagens planetárias, que reduzem o tamanho do componente para caber em qualquer tipo de veículo. Segundo a ZF, esse tipo de transmissão poderá reduzir o consumo de combustível entre 10% e 16%.

A chinesa BYD revelou no fim do ano passado que está desenvolvendo um motor 1.5 com turbocompressor, transmissão sequencial de seis velocidades e embreagem dupla – a empresa é a primeira montadora independente a desenvolver esse tipo de tecnologia na China –, que deverá melhorar significativamente o rendimento e reduzir o nível de emissões de seus modelos a partir deste ano. Esse novo motor de 154 cavalos produz 43% mais potência do que um convencional de mesma cilindrada, nivelando-se a um motor à combustão, aspirado, de 2 litros.

Para fazer frente a esses desafios, os grandes grupos automotivos vão ter de destinar progressivos investimentos em pesquisa e desenvolvimento para novos componentes e produtos. Essa estratégia já começou a render os primeiros resultados nos últimos anos, com a aplicação em massa nos veículos europeus, asiáticos e americanos de motores com injeção direta de combustível, câmbio CVT (com relações de marchas continuamente variáveis) ou transmissões automáticas inteligentes, comandos variáveis de válvulas do tipo VVT, e mais recentemente propulsores reduzidos. E muita coisa está por vir.

O QUE ACONTECE NO BRASIL

No Brasil, essas novas tecnologias deverão ficar restritas ao desenvolvimento de novos sistemas e componentes periféricos para os motores flex, bicombustível, como o novo sistema de partida a frio, que dispensa reservatório extra de gasolina, e a redução de tamanho, peso e número de cilindros de motores compactos, além da adoção de pneus de baixo atrito com o solo, turbocompressores e itens de segurança como airbags, sistema de freio ABS e controle de estabilidade.

Satkunas prevê que os motores convencionais a combustão deverão sobreviver por mais 30 a 40 anos no mercado mundial e que muitas montadoras ainda terão de direcionar suas pesquisas para essa área. “Teremos aqui uma minimização desses motores, com a chegada de propulsores de dois a três cilindros, como o EcoBoost da Ford e MultiAir da Fiat, mais eficientes e econômicos. As transmissões poderão ganhar mais marchas e devemos adotar também a injeção direta de combustível. As montadoras locais também deverão continuar desenvolvendo seus motores flex, introduzindo inovações para aumentar seu rendimento”, explica.

* TECNOLOGIA 2 – O texto acima foi veiculado originalmente no Carsale. Este é o segundo artigo da série especial de oito reportagens sobre tecnologia automotiva que o jornalista Ricardo Couto, gerente de conteúdo do Carsale, preparou para os leitores do site. A série é republicada também aqui no Portal Automotive Business. Será publicado um artigo por dia.

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