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Redação AB com Agência Brasil
A produção industrial do Brasil fechou 2011 com crescimento de 0,3% em relação ao ano anterior. A taxa é bem inferior à registrada em 2010, quando foi observado um aumento de 10,5%. O dado foi divulgado na terça-feira, 31, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entre os setores da indústria, o maior crescimento foi percebido no segmento dos bens de capital, que subiu 3,3%. Os bens intermediários também cresceram, mas em uma taxa de 0,3%. Já os bens de consumo duráveis e bens de consumo semi e não duráveis tiveram quedas de 2% e 0,2%, respectivamente.
Comparando apenas o mês de dezembro com o mês de novembro, houve um aumento de 0,9%. Já em comparação com dezembro de 2010, foi registrada uma queda de 1,2%.
SETOR AUTOMOTIVO
Apesar do crescimento de 2,4% na atividade de veículos automotores (setor que inclui autopeças, caminhões, chassis de ônibus, automóveis e tratores), a produção de automóveis, isoladamente, teve uma queda de 7,8% em 2011 e contribuiu para a desaceleração da indústria brasileira no ano passado. André Macedo, técnico do IBGE, aponta que essa é a maior queda desde 1999, quando o setor registrou um decréscimo de 10,7%.
O tombo apontado pelo instituto é maior do que o registrado pela Anfavea. A associação dos fabricantes de veículos afirma que a desaceleração na fabricação de automóveis foi de 1,9%, para 2,53 milhões de unidades em 2011. Segundo Macedo, os dados são diferentes porque a entidade não inclui na estatística a produção em regime CKD, de carros desmontados. “Além disso, pode haver alguma desigualdade nas amostras, nos informantes dos dados. De qualquer forma, os dois levantamentos evidenciam uma tendência de queda”, explica.
Entre os motivos para a queda, Macedo destaca o encarecimento das condições de crédito, o que acaba afetando a demanda doméstica. “Isso se torna visível no nível de estoques bastante elevado do setor nos últimos meses”, ressaltou Macedo. Além disso, o avanço das vendas de modelos importados impactou na produção dos carros nacionais (leia aqui). O resultado positivo da atividade de veículos automotores foi sustentado, portanto, pela maior produção de caminhões, autopeças e bens de capital para o setor de transportes.
Outras atividades que contribuíram para a desaceleração da indústria em 2011 foram os setores de têxteis e de calçados, que caíram, respectivamente, 14,9% e 10,4%. Segundo o IBGE, o desempenho desses segmentos também sofre influência do aumento das importações desses produtos no país.