
“Fala-se em reestruturação como se fosse algo comum da vida. Mas não é o caso de discutir se é preciso fazê-la, o cenário de piora das condições já é um fato”, afirmou a consultora, lembrando a urgência que o momento exige no corte de custos, com redução da produção e de pessoal nas fábricas, pois não há sinais de recuperação no curto prazo. “O problema é que reestruturação não substitui a estratégia que deveria estar traçada para passar pela crise e aproveitar melhor as oportunidades quando o mercado se recuperar”, opinou.
Letícia alerta que “se usa a crise como desculpa para não buscar o aumento necessário de produtividade e competitividade”. Para ela, coloca-se foco excessivo na crise e perde-se a perspectiva de longo prazo.
“Passamos pela década perdida dos aos 80, depois teve a crise de 98 que durou 10 anos no setor, aí teve o racionamento de energia de 2001, veio a eleição que parou o mercado em 2002. Agora existe a falta de confiança dos consumidores e empresário que não será superada em pouco tempo. Já deveríamos ter aprendido que não dá para ficar esperando pelo que o governo vai fazer, é preciso agir”, disse.
Letícia lembrou que no momento de aquecimento do mercado, a partir de 2006 até 2012, perdeu-se a oportunidade de ganhar escala e produtividade internacional. “Aí quando a crise vem não sobra nada.”
A consultora enumerou algumas das armadilhas armadas no caminho do setor: dependência excessiva do mercado interno, falta de competitividade internacional com produtos de baixa atratividade global, baixo nível de inovação e, por consequência, alta dependência de proteção do governo. “É o caso do Inovar-Auto, que não deveria ser renovado.”
Para concluir, Letícia aconselhou que todo o foco, agora, deve ser em ganhos de produtividade e competitividade, porque a reestruturação já deveria ter sido feita.