
O Produto Interno Bruto (PIB), soma de toda a riqueza produzida no país, subiu mais que o esperado no segundo trimestre deste ano. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o PIB teve crescimento de 1,4% no período em comparação ao primeiro trimestre de 2024. A expectativa do mercado era de evolução de 0,9% a 1,1%.
O destaque da economia em abril, maio e junho deste ano ficou com o desempenho da indústria, com alta de 1,8% no segundo trimestre em relação ao primeiro, seguida pelo setor de serviços, cujo crescimento foi de 1%.
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Segundo o Ministério da Fazenda, a aceleração da indústria repercutiu o maior ritmo de expansão da produção de eletricidade e gás, do setor de construção e da indústria de transformação, em contrapartida à desaceleração observada na indústria extrativa. Do PIB industrial, o setor automotivo representa de 15% a 20% do que é gerado.
“O bom desempenho da indústria de transformação está relacionado ao crescimento interanual na produção de bens de capital e de consumo na passagem entre trimestres, em contrapartida à desaceleração na produção de bens intermediários”, informou o ministério.
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Já o avanço da produção de eletricidade e gás está relacionado ao aumento do consumo de energia, estimulado pela manutenção da bandeira tarifária verde. Na construção, tanto a produção de insumos típicos como a ocupação avançaram nessa base de comparação.
A agropecuária, que durante muito tempo sustentou o crescimento do PIB, recuou 2,3% na comparação entre o segundo e o primeiro trimestre de 2024.
Resultado surpreendente para o mercado
Segundo o IBGE, o PIB do segundo trimestre totaliza R$ 2,9 trilhões neste ano, sendo R$ 2,5 trilhões referentes ao Valor Adicionado a preços básicos e R$ 387,6 bilhões aos impostos sobre produtos. A taxa de investimento no período, indicador que sinaliza o bom desempenho da economia, foi equivalente a 16,8% do PIB, acima dos 16,4% verificados no segundo trimestre de 2023.
Para Carlos Lopes, economista do banco BV, o resultado do PIB no segundo trimestre, de 1,4%, foi surpreendente porque esperava-se um percentual de crescimento de 0,9%. Esse desempenho teve forte contribuição da demanda doméstica.
“Do lado da indústria e serviços, o resultado foi muito positivo, compensando o recuo na atividade da agropecuária, que foi sazonal. Quando olhamos para o lado da demanda, o desempenho foi favorável pelo consumo das famílias, do investimento e das compras governamentais e esses indicadores são relevantes para os próximos meses, a despeito de uma expectativa de alta dos juros”, disse o economista à Agência Brasil. “O crescimento da mão de obra com carteira assinada sustenta o aumento do consumo por conta da poupança gerada pelo trabalho.”