
O déficit da balança comercial brasileira de produtos manufaturados deve atingir US$ 100 bilhões este ano, segundo projeção da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A entidade divulgou nesta segunda-feira, 9, os coeficientes de importação (CI) e exportação (CE) do setor industrial no primeiro trimestre deste ano, que comprovam o expressivo avanço do consumo de bens industrializados importados sobre a produção nacional, ao mesmo tempo em que as vendas externas da indústria perdem terreno.
Excluindo os dados de indústrias extrativas, que têm maior peso nas exportações com commodities de baixo valor agregado, e levando em consideração somente a indústria de transformação, a participação das vendas externas na produção total foi de 14,7%, o segundo índice mais baixo da série histórica, que começou no primeiro trimestre de 2006 com 19,9%. O menor porcentual da série (14%) foi registrado nos últimos três meses do ano passado. “Estes números corroboram com o argumento de perda de mercado externo da indústria do Brasil e de domesticação da produção manufatureira do País”, afirmou em nota a Fiesp.
Ao mesmo tempo, as importações avançam em ritmo acelerado e representaram 20,4% do consumo de bens manufaturados no País de janeiro a março deste ano – este porcentual era de 13,7% no início da série histórica em 2006. Significa dizer que hoje, de cada 10 produtos industrializados vendidos no Brasil, dois são importados.
Com isso, os produtos importados vêm se aproveitando com muito mais vigor do crescimento do mercado interno. Para se ter ideia de quanto, a Fiesp apurou que, diante do aumento de 4% das vendas domésticas de manufaturados no País no primeiro trimestre contra o trimestre anterior, os produtos nacionais tiveram participação de 31,4%, enquanto os importados abocanharam fatia de 68,6% da expansão do consumo.
Setor automotivo
Nas exportações, as indústrias do setor automotivo mostram desempenho ainda pior do que a média apurada pela Fiesp: os fabricantes de veículos exportaram 11,7% da produção nacional (contra 14,7% no geral da indústria de transformação), enquanto os fornecedores de peças embarcaram para fora do País 8,8% do que produziram.
As importações, embora também estejam ganhando terreno rapidamente no setor automotivo, graças à proteção de alíquotas aduaneiras mais altas, tiveram participação no consumo abaixo da média geral da indústria de transformação (20,4%). Os veículos importados representaram 18,4% das compras de manufaturados no primeiro trimestre. Já as autopeças importadas ficaram com 11,4% do mercado.