
Concluída em dezembro pelo Inmetro – Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial em parceria com o Conpet – Programa Nacional da Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e do Gás Natural (vinculado ao Ministério de Minas e Energia e desenvolvido pela Petrobras), a tabela 2010 contempla a participação de seis montadoras (Fiat, Honda, Kia, Volkswagen, Renault e Toyota, as duas últimas recém-inscritas) e 67 modelos, que correspondem a 50% do volume de vendas no mercado nacional.
Até recentemente havia 31 modelos na tabela. As categorias avaliadas são subcompactos, compactos, médios, grandes, carga derivado, comercial e fora-de-estrada.
A Etiqueta Veicular classifica os veículos de acordo com a eficiência energética por categoria, ou seja, quanto eles despendem de energia para se locomover. A classificação vai de ‘A’ (mais eficiente) até ‘E’ (menos eficiente). São considerados mais eficientes os automóveis que, nas mesmas condições, gastam menos energia em relação a seus pares e, portanto, consomem menos combustível. Para comparar veículos que usam combustíveis diferentes, os valores de consumo verificados em álcool e gasolina são convertidos em joule, unidade que mede a energia.
Consumo
Outra informação apresentada pela Etiqueta Veicular são os valores de referência da quilometragem por litro, na cidade e na estrada, com diferentes combustíveis. De acordo com a observação impressa nas etiquetas da primeira fase, esses valores são obtidos a partir de medições de consumo efetuadas em laboratório, conforme norma NBR 7024, que determina que os testes sejam feitos com o uso de combustíveis padrão brasileiros e adoção de ciclos de condução pré-estabelecidos.
Para o Inmetro, na prática os automóveis que obtêm melhor resultado em laboratório, em iguais condições, apresentam melhor desempenho nas ruas e estradas.
Método
A metodologia adotada no Brasil é a mesma de países que possuem programas similares. O Inmetro lembra que somente os testes em laboratório permitem que os veículos sejam avaliados de forma padronizada, em condições controladas, garantindo que as medições possam ser repetidas e utilizadas em uma comparação uniforme entre modelos de veículos diferentes, dentro de uma mesma categoria. Contudo, em situações reais de uso do veículo, diversos fatores – qualidade do combustível, estado de conservação e calibragem dos pneus, uso de acessórios como ar condicionado, peso transportado, maneira de dirigir, conservação das ruas e estradas etc. – influenciam o consumo, podendo apresentar consideráveis variações em relação aos resultados obtidos nas medições laboratoriais, em condições padrão. Até mesmo quando diversos motoristas dirigem um mesmo veículo, eles obtêm consumos diferentes.
Para que o consumidor tenha uma informação mais próxima do consumo de combustível em condições reais de uso do automóvel, mantendo a comparação relativa entre os veículos, o Inmetro decidiu adotar um fator de ajuste na tabela de 2010, a exemplo da evolução deste tema nos EUA, por meio da Agência de Proteção Ambiental norte-americana (EPA). O mesmo fator de ajuste também foi aplicado, neste mês, na tabela 2009. Testes indicam que 80% dos motoristas obtêm resultados semelhantes, em condições reais de utilização dos veículos.
Os valores medidos nos ensaios de laboratório em condições padronizadas pela NBR 7024 continuarão a ser utilizados para comparação e classificação da eficiência energética dos veículos em cada categoria, de acordo com os padrões internacionais de condução para medição de consumo.
O Inmetro destaca que a falta de manutenção, pneus descalibrados, direção agressiva com acelerações e frenagens bruscas, trânsito muito congestionado, velocidade elevada, combustível inapropriado, condições climáticas ou condições adversas da via, excesso de peso e outras variáveis podem causar expressivo aumento do consumo de combustível – em torno de 20%.
PBE Veicular
O programa lançado em novembro de 2008, no Salão do Automóvel, em São Paulo, pelo Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Miguel Jorge, incluiu o Brasil na lista dos países que desenvolvem programas de eficiência energética e de uso racional de combustível em veículos, como EUA, Japão, Austrália, China, Canadá e membros da União Europeia.
A adesão dos fabricantes e importadores de automóveis é renovável a cada ano e, para participar, o fornecedor deve informar os valores de consumo energético de, no mínimo, 50% de todos os seus modelos de automóveis zero km previstos para comercialização no período, podendo optar por fixar ou não a etiqueta em um dos vidros do automóvel.
As informações referentes à montadora, no entanto, devem constar obrigatoriamente do manual do proprietário e nos pontos de venda. Os dados também ficam disponíveis na tabela publicada nos sites do Inmetro (www.inmetro.gov.br) e do Conpet (www.conpet.gov.br).
O PBE Veicular conta com o apoio do MDIC e tem também a participação do Ministério de Minas e Energia (MME); da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP); do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb); do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes); e da indústria automobilística, representada pela Anfavea e Abeiva.