
Foram testados em laboratório pelo instituto 496 modelos e versões de automóveis e comerciais leves (169 a mais que no ano passado) de 36 marcas nacionais e importadas diferentes: Audi, Bentley, Changan, Chery, Chrysler, Citroën, Dodge, Ferrari, Fiat, Ford, Hafei, Honda, Hyundai, JAC, Jaguar, Jeep, Jinbei, Kia, Lamborghini, Land Rover, Lexus, Maserati, Mercedes-Benz, Mitsubishi, Nissan, Peugeot, Porsche, Rely, Renault, Rolls-Royce, Smart, Subaru, Suzuki, Toyota, Volkswagen e Volvo.
Os modelos de 2014, divididos em 12 segmentos, foram classificados numa escala com notas que vão de A até E, sendo A para o menor consumo. Cada um ganhou duas notas. Uma delas compara o consumo do carro com outros de sua categoria e a outra, em relação a todos os demais veículos avaliados. A nota relativa à categoria poderá aparecer em etiqueta colada no carro, isso se a montadora concordar em utilizá-la. Não por acaso, apenas as avaliadas com nota A divulgaram que vão usar a etiqueta este ano. Confira os resultados.
SUBCOMPACTOS
Um dos melhores desempenhos foi o do Volkswagen Up!, que começa a ser vendido no início de março no Brasil como carro de entrada da marca em substituição ao Gol G4. A lista aponta que serão oferecidas dez versões do subcompacto com motor flex 1.0 de 12 válvulas, três cilindros e 82 cavalos, o mais potente da categoria. O que muda entre elas é o número de portas (duas ou quatro), a transmissão, que pode ser manual ou automatizada de cinco velocidades, e o nível de acabamento.
Em sua versão mais básica, que tem opção de ar-condicionado e direção elétrica assistida, o Up! fez 9,1 km/l na cidade e 9,9 km/l na estrada com etanol. Abastecido com gasolina, a média subiu para 13,2 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada. O desempenho do modelo topo de linha, o I-Motion com transmissão automatizada, foi semelhante: 9 km/l com etanol na cidade e 13 km/l com gasolina. O consumo energético de todas as versões (resultado levado em conta pelo Inovar-Auto) foi de 1,57 MJ/km. E a emissão de CO2, de 96 g/km. Com estes índices, as dez versões foram classificadas com nota A tanto na categoria quanto no ranking geral e consagram o Up! como o carro flex equipado mais econômico do Brasil.
O Volkswagen Fox BlueMotion, subcompacto impulsionado pelo mesmo motor 1.0 do Up!, consome mais, o equivalente a 1,60 MJ/km, por causa de seu peso maior. Sua nota também foi A.
O Renault Clio conseguiu nota máxima em todas as versões. Seu consumo energético foi ainda menor que o do Up!, chegando a 1,45 MJ/km no modelo mais básico, que consegue 9,5 km/l na cidade e 10,7 km/l na estrada com etanol. Mas vale destacar que este não é equipado com ar-condicionado. O mesmo aconteceu com a versão de entrada do Nissan March, também sem o equipamento. Abastecida com etanol, fez 8,9 km/l no ciclo urbano e 10,4 km/l no rodoviário. Seu consumo energético foi de 1,57 MJ/km.
O Smart Fortwo mhd também se saiu melhor que o Up!, com consumo de 1,56 MJ/km. Porém, o segredo do modelo importado não está no desempenho do propulsor 1.0 a gasolina, mas no sistema Start-Stop, que o desativa durante a desaceleração do veículo.
O pior resultado entre os subcompactos foi o apresentado pelo Face, da Chery. O modelo equipado com motor 1.3 flex de 16 válvulas conseguiu nota E. Apresentou consumo energético de 2,02 MJ/km e emissão de 120 g/km de CO2. Seu desempenho foi de apenas 7 km/l na cidade e 7,4 km/l na estrada abastecido à álcool. Da mesma marca chinesa, o QQ, que será fabricado no Brasil, terá transmissão manual e propulsor 1.0 de três cilindros a gasolina, que consegue chegar a 11,8 km/l na cidade e 13,9 km/l na estrada. O modelo consome 1,71 MJ/km e ganhou nota C.
Desta mesma categoria foram avaliados ainda JAC J2 e Kia Picanto, ambos com classificação C, além de Novo Uno, Palio e 500, modelos da Fiat, com notas B, A e D em suas versões mais básicas, respectivamente.
COMPACTOS
Dentre os compactos, somente Renault Sandero e Toyota Etios hatchback, ambos flex, tiveram nota A com todas as versões. O motor 1.0 da Renault tem consumo energético de 1,66 MJ/km na mais básica e de 1,75 MJ/km na mais completa, que emite 105 g/km de CO2. Já o Etios apresentou consumo de 1,70 MJ/km em suas quatro versões. O carro conseguiu uma média de 8,5 km/l na cidade e 8,9 km/l na estrada ao rodar com etanol.
Citroën C3, Fiat Siena, Ford New Fiesta hatch, Honda Fit, Hyundai HB20, Peugeot 208 e Volkswagen Gol foram classificados com nota máxima em suas versões mais básicas, que por serem menos equipadas “bebem” menos. New Fiesta e Gol apresentaram consumo energético menores nesta categoria, de 1,68 MJ/Km.
MÉDIOS
Do segmento de médios, o Audi A3 sedã com motor 1.4 a gasolina desponta como novidade, prestes a ser lançada no mercado brasileiro. Esta nova versão fez 10 km/l na cidade e 11,5 km/l na estrada. Foi classificada com nota E ao consumir 2,06 MJ/km e emitir 127 g/km de CO2.
Os únicos carros médios que conquistaram nota A com todas as suas versões (mas apenas na comparação relativa à categoria) foram Ford New Fiesta sedã, Nissan Versa, Novo Renault Logan e Toyota Etios sedã. Dentre eles, o campeão de economia é o Etios, com consumo de 1,69 MJ/km, seguido por Logan (1,73 MJ/km), Versa (1,74 MJ/km) e New Fiesta (1,75 MJ/km).
Toyota Prius e Lexus CT200h, modelos híbridos equipados com um motor a combustão e outro elétrico, foram os únicos médios a obterem nota A tanto na categoria quanto na comparação geral. O Prius fez 15,7 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada, abastecido com gasolina. Consumiu o equivalente a 1,40 MJ/km e emitiu 86 g/km de CO2. Já o Lexus alcançou, respectivamente, 15,7 km/l e 14,2 km/l, também com gasolina. Seu consumo foi de 1,41 MJ/km. Os dois modelos tiveram resultados semelhantes porque compartilham o mesmo conjunto, com um motor 1.8 a combustão de 16 válvulas e um elétrico, que juntos geram 134 cavalos de potência.
O carro médio à venda no Brasil em 2014 que mais consome combustível, de acordo com a lista, é o Volvo V40, que traz abaixo do capô um bloco 2.0 de 16 válvulas a gasolina. O hatch, equipado com transmissão automática de seis velocidades e direção eletro-hidráulica, ficou com a pior nota, a E, em todas as suas 29 versões. A média de consumo delas variou de 2,66 MJ/km a 2,81 MJ/km.
GRANDES
Dos mais de 20 veículos grandes testados pelo Inmetro, nenhum conseguiu dupla nota A. Os únicos a obterem a classificação máxima na própria categoria foram Ford Focus hatch, Honda Civic, Kia Cerato, Novo Nissan Sentra, Subaru Forester, Renault Fluence e Toyota Corolla. Destes, o menor consumo energético foi do Honda Civic, de 1,85 MJ/km, na versão equipada com motor flex 1.8 e transmissão manual de seis velocidades. O sedã fez 7,4 km/l na cidade e 9,5 km/l na estrada com etanol. Com gasolina, as médias subiram para 10,7 km/l e 13,4 km/l, nas mesmas condições.
Os carros grandes mais “beberrões” são Audi Q3 e JAC J6. Ambos são equipados com motores 2.0 a gasolina e ficaram com nota E. O modelo alemão consumiu 2,55 MJ/km, com média de 8 km/l na cidade e de 9,6 km/l na estrada. Já o chinês fez 7 km/l na cidade e 9,1 km/l na estrada, consumindo 2,85 MJ/km.
EXTRAGRANDES
Esta nova categoria criada pelo Inmetro aponta o desempenho dos maiores motores do programa. Faz parte dela o Fusion Hybrid, que mais uma vez é considerado o carro mais econômico do Brasil. Com motor 2.0 16 V a gasolina associado a outro elétrico, o modelo da Ford percorreu 16,8 km/l na cidade e 14,7 km/l na estrada.
O único extragrande com motor a combustão a ter nota A foi o Nissan Altima, recém-lançado no País. Com bloco 2.5 abastecido a gasolina, tem consumo energético de 1,94 MJ/km e emite 120 g/km de CO2. Seu desempenho foi de 10,1 km/l no ciclo urbano e de 13,1 km/l no rodoviário.
Entre os piores extragrandes, avaliados com nota E, aparecem Bentley (4,37 MJ/km), Rolls-Royce Ghost (4,02 MJ/km), Volkswagen Touareg (3,50 MJ/km), e os Volvo S60 (3,22 MJ/km e V60 (3,18 MJ/km). O modelo da Bentley consegue rodar apenas 4,5 km/l na cidade e 6,4 km/l na estrada com gasolina.
UTILITÁRIOS ESPORTIVOS E FORA DE ESTRADA
O Inmetro divide os utilitários esportivos entre compactos e grandes. A classificação A foi concedida para Novo Uno Way e Palio Weekend, da Fiat, e também para os concorrentes Ford EcoSport e Renault Duster, dentre os compactos. Enquanto a nota E foi dada aos Hyundai Tucson e ix35 e ao Jeep Compass.
Entre os utilitários esportivos grandes, levaram A o Kia Sportage automático, o Mitsubishi Outlander automatizado, e todas as versões do Toyota RAV4. Com nota E ficaram Kia Sorento, Hyundai Santa Fé e Volvo XC60.
Considerado fora de estrada, o Land Rover Evoque ganhou A quando comparado aos concorrentes dessa categoria, assim como o Renault Duster Dynamique 4×4 e os Suzuki Jimny e Grand Vitara. Foram classificados com nota E os modelos Jeep Wrangler, Land Rover Range Rover Sport, Porsche Cayenne, além dos Mitsubishi Pajero e L200 Triton.
MINIVANS
Foram avaliadas pelo programa oito minivans diferentes, mas apenas duas conseguiram nota máxima: Fiat Doblò 1.4 e Nissan Grand Livina em todas as suas versões. Seus consumos foram 2,37 MJ/km e 2,25 MJ/km, respectivamente. As piores notas foram da Chrysler Town & Country.
COMERCIAIS E CARGA DERIVADOS
Na categoria de comerciais, foram testados modelos das marcas Changan, Fiat, Hafei, Jinbei, Rely e Renault. A picape Chana, da Changan, o Doblò Cargo, da Fiat, e o Kangoo, da Renault, foram melhores. O consumo energético deles variou de 2,07 MJ/km a 2,28 MJ/km.
No segmento de carga derivados aparecem as novas Fiorino e Strada, da Fiat, e a picape Saveiro, da Volkswagen. A Strada foi a pior avaliada, com nota B e consumo de 2 MJ/km. Os demais modelos ganharam nota A, sendo que a Fiorino consome 1,90 MJ/km e a Saveiro, 1,93 MJ/km.
ESPORTIVOS
Carros esportivos também passaram pelos testes do Inmetro. Foram avaliados 12 modelos diferentes este ano: os Ferrari Califórnia e F12 Berlinetta, o Lamborghini Aventador, os Maserati Quattroporte e Gran, os Mercedes-Benz C180 e SLK 250, além dos Porsche Boxter, Cayman, 911 e Panamera, e do Volkswagen Fusca. O menor consumo foi do Mercedes C 180, de 2,13 MJ/km. O maior, do Lamborghini, que chegou a 4,82 MJ/km.
Veja a classificação completa dos modelos aqui.