Entendemos como ambiente mais do que só o local de trabalho. Referimo-nos às conexões que a empresa constrói e mantém com universidades, centros de pesquisa, clientes, fornecedores e com governos. É do capítulo ambiente que falamos quando olhamos para o Inovar-Auto como oportunidade de mover-se em direção às oportunidades.
Não basta mais somente produzir e vender bem. É preciso fazer isso de forma alinhada à lógica de um governo que está disposto a reduzir seus impostos e dar dinheiro à sua empresa, desde que você seja uma usina de novas ideias e eleve seus patamares de inovação e competitividade. Basta ver a Embraer, a Petrobras, a Natura, a Odebrechet e outras empresas que conseguiram ser e mostrarem-se usinas e por isso tornarem-se as mais bem vistas pelo governo em todas as linhas de ação.
Afirmamos também que, boa parte do desenvolvimento e da inovação de uma companhia pode ser feita aqui mesmo no Brasil, por engenharias que são mais rápidas, flexíveis, criativas e produtivas do que as dos “gringos”. Antes disso, temos que nos livrar dos complexos, recondicionar nosso olhar e parar de chamar um montão de coisas de marketing, assistência técnica e outros nomes quando são, na verdade, inovação, P&D e engenharia. O primeiro a ser convencido é você.
Passamos 30 anos tentando destruir nossas engenharias, mas bastou tomar um pequeno fôlego e receber incentivos para vermos ressurgir nossas expertises. Somos capazes. O problema é que deixamos de acreditar nisso. Nos convenceram de que éramos mão de obra barata, celeiro do mundo, produção e não inovação. Chamamos nossas inovações criativas de gambiarras e olhando melhor para elas, vemos em muitos casos, expressão pura da inovação brasileira.
No mundo automotivo, quando lá fora se distraíram um pouco com a crise, concebemos plataformas campeãs de vendas, lançamos dezenas de produtos vencedores e criamos veículos e aviões que conquistam o mundo.
Inovação não depende somente de tecnologia e nessa parte, damos show. Conhecemos as pessoas, entendemos suas expectativas não explicitadas. O Inovar-Auto é um dos mais representativos programas de fortalecimento compulsório das engenharias do setor que o Brasil já teve. O governo não diz “se você inovar, reduzo seu imposto.” Na verdade, ele diz “se não inovar e produzir como o país precisa, eu aumento seu imposto, tiro sua competitividade e acelero sua morte.”
Por pura resistência a mudanças, ainda vemos dezenas de executivos brilhantes dizendo que, “enquanto o Inovar-Auto não estiver super definido nos mínimos detalhes, não me mexo.” Complicar coisas simples é um clássico método de resistência a mudanças.
Outros inovadores saíram correndo e disseram “vamos aproveitar já o que até agora foi definido”. Estes estão assinando convênios com centros de pesquisa para atingirem suas metas, estão fazendo encomendas tecnológicas a fornecedores, abrindo frentes de eficiência energética e de segurança. Estes vencerão.
Na transição de um Brasil produtor para um Brasil inovador, as empresas precisarão ter um programa e uma estrutura interna da inovação funcionando. Da mesma forma que fomos capazes de ganhar produtividade no passado, temos de nos tornar capazes de inovar acreditando que somos inovadores e estruturando práticas e sistemas que garantam a inovação serial. A ABNT recém editou a Norma 16501 que orienta para as práticas do P,D&I. Já existem empresas, como a Delphi, certificadas ou em vias de.
É preciso montar comitês de gestão da inovação que integrem áreas de RH, engenharia, vendas e de finanças, já que boa parte dos recursos virão do governo. Se as linhas de incentivo forem bem gerenciadas, elas podem responder por 60% dos investimentos. Já pensaram que o Inovar-Auto vai injetar R$ 1,5 bilhão no sistema de P,D&I e Engenharia?
A pergunta que você tem que se fazer é: Como estamos estruturados para captar estes recursos? Será preciso melhorar a engenharia, mas também as administrações das engenharias, para a cumprir as exigências do Inovar-Auto?
Alguns consideram o Brasil atrasado em relação a outros países na área automotiva. Acredito que poderemos superar o atraso e competir em pé de igualdade. Temos um grande mercado que valoriza a inovação e se fascina com isso. Temos dinheiro do governo, incentivos e a mensagem está dada. No passado nos queixávamos da falta de políticas, agora as temos.
Enfim, montem suas secretarias técnicas e se estruturem para utilizar ao máximo os incentivos que o governo tem oferecido para administrar seus esforços de engenharia. Comecem a ver inovação como inovação e abram suas fronteiras para cumprirem a tarefa ao lado de seus clientes e fornecedores. Em cinco anos existirão dois tipos de empresas: as inovadoras e as falidas.