
Para inovar, como explicou Ferran, as empresas precisam fazer um exercício interno, entender o que fazem, onde pretendem chegar, avaliar o que o mundo faz e serem extremamente focadas. Tudo isso, aliado a uma estrutura organizacional com no máximo quatro níveis e a uma lógica na criação de produtos, atendendo às necessidades dos clientes e comprometida com a mobilidade urbana. “É importante ressaltar que o Brasil tem capacidade para desenvolver veículos globais e que há intercâmbio entre os vários centros de engenharia, o que derruba a velha desculpa de que as matrizes mandam”, disse.
Para Pieracciani, o setor tem de buscar os incentivos do governo para inovação, gerando desenvolvimento econômico, margens sustentáveis e competitividade sistêmica. “É importante entender que inovação não se refere apenas ao lançamento de produtos e serviços. É possível inovar em gestão, processos produtivos, em geração de novos negócios. E tudo isso se encaixa nas políticas de incentivos fiscais à inovação tecnológica”, explicou o executivo, lembrando que em 2010 o governo realizou renúncia fiscal de aproximadamente R$ 140 bilhões, mas apenas R$ 1,7 bilhão foi referente a investimentos em P&D. “E o governo tem dinheiro. As empresas precisam buscar”, garantiu.
Da parte do governo, Bruno Jorge Soares, da ABDI, disse que o novo regime automotivo chega para estimular os investimentos em inovação, com vistas ao incremento do mercado interno, em produção e vendas, e à competitividade. Segundo ele, as regulamentações promovidas nos últimos anos, que exigem veículos mais seguros e menos poluentes, por exemplo, alinhados à demanda mundial, também contribuem para a inovação tecnológica.
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